Fóssil de nova espécie de cobra pré-histórica é descoberto no interior de SP

Batizada de Tametara mirim, serpente viveu há milhões de anos e possuía adaptações raras para a vida subterrânea, revelando segredos da evolução no Brasil.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 12:003 min de leitura

Fóssil de nova espécie de cobra pré-histórica é descoberto no interior de SP
Resumo em 10 segundos

Descoberta de serpente com hábitos subterrâneos revela elo perdido na evolução dos répteis na América do Sul.

Uma equipe de pesquisadores identificou uma nova espécie de serpente pré-histórica, batizada de Tametara mirim, a partir de um fóssil encontrado em rochas no interior de São Paulo. O achado, que data de milhões de anos atrás, representa uma das linhagens mais antigas já registradas, oferecendo uma janela única para compreender como esses animais se diversificaram no território brasileiro durante a Era Mesozoica.

Uma joia da paleontologia brasileira

O espécime encontrado surpreendeu a comunidade científica pelo seu estado de preservação excepcional. Diferente da maioria dos fósseis de répteis, que costumam estar fragmentados, os restos da Tametara mirim permitiram uma análise detalhada da estrutura craniana. De acordo com os paleontólogos envolvidos no estudo, a integridade do material possibilitou o uso de tecnologias avançadas, como a tomografia computadorizada, para mapear a anatomia interna do animal.

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Com esses dados, os cientistas conseguiram realizar uma reconstrução digital do cérebro da serpente. Esse procedimento revelou que o animal possuía bulbos olfatórios altamente desenvolvidos e uma estrutura auditiva adaptada para captar vibrações no solo. Essas características confirmam que a espécie era especialista em vida fossorial, ou seja, passava a maior parte do tempo debaixo da terra, caçando pequenas presas em túneis.

Adaptações evolutivas e morfologia

A Tametara mirim apresentava dimensões reduzidas, o que justifica o nome "mirim" (pequeno, em tupi). Sua morfologia indica que ela pertencia a um grupo basal de serpentes, funcionando como um elo evolutivo entre as formas mais primitivas e as linhagens modernas. O crânio robusto e os dentes curvados sugerem uma dieta focada em invertebrados ou pequenos vertebrados que habitavam o subsolo do Sudeste brasileiro há cerca de 90 milhões de anos.

Os pesquisadores destacam que a descoberta altera a percepção sobre a biodiversidade do período Cretáceo. A presença de uma serpente tão especializada em um ambiente de clima predominantemente árido e sazonal mostra que esses répteis já ocupavam nichos ecológicos complexos muito antes do que se imaginava anteriormente. O estudo detalhado das vértebras também indicou uma musculatura potente, essencial para a locomoção subterrânea.

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Contexto

A região onde o fóssil foi coletado faz parte da Bacia Bauru, uma unidade geológica famosa mundialmente pela riqueza de fósseis de dinossauros, crocodilomorfos e tartarugas. Nos últimos anos, o estado de São Paulo tem se consolidado como um dos principais polos de pesquisa paleontológica do país, com depósitos sedimentares que preservam a história da fauna que habitou o antigo supercontinente Gondwana.

Este novo registro soma-se a outras descobertas recentes que colocam o Brasil no centro do debate sobre a origem das serpentes modernas. Até pouco tempo, acreditava-se que a evolução desses animais estivesse estritamente ligada a ambientes aquáticos, mas achados como o da Tametara mirim reforçam a hipótese de que a vida sob a terra desempenhou um papel crucial no surgimento do grupo.

O que esperar

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Os próximos passos da investigação incluem a comparação do genoma morfológico da nova espécie com fósseis encontrados na Argentina e na África, visando traçar as rotas migratórias desses répteis. A peça agora integra o acervo de instituições de pesquisa nacionais, onde passará por novas análises bioquímicas para determinar com precisão a composição mineralógica que permitiu tamanha conservação ao longo de milhões de anos.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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