Franca: Investigação revela rede de vingança e coação em sequestro de família
Polícia Civil indicia seis mulheres por tortura e cárcere privado após morte de caseiro em Franca. Filha da vítima é apontada como mandante do assassinato do pai.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 04:013 min de leitura

Operação policial desarticula esquema criminoso liderado por familiares de jovens envolvidos em homicídio no interior paulista.
A Polícia Civil de São Paulo detalhou o modus operandi de um grupo composto por seis mulheres indiciadas por sequestro, tortura e coação contra a família de um caseiro em Franca. O caso, que chocou a região, revela uma trama de vingança iniciada após o assassinato de Milton de Sousa Prado, ocorrido recentemente. Segundo as investigações, as suspeitas agiram de forma coordenada para retaliar parentes de jovens que teriam participado da morte do caseiro, criando um ciclo de violência urbana.
Dinâmica das ameaças e sequestro
De acordo com o relatório da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), o grupo de mulheres utilizou métodos de extrema violência psicológica e física para manter as vítimas sob controle. O inquérito aponta que as acusadas são parentes de jovens que foram mortos em represália ao assassinato de Milton. Durante o período de cárcere, os familiares do caseiro foram submetidos a interrogatórios informais e agressões, em uma tentativa das suspeitas de exercerem uma justiça paralela na cidade de Franca.
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As autoridades confirmaram que as indiciadas responderão por crimes que somados podem ultrapassar 20 anos de prisão. A motivação, segundo a Polícia Civil, era forçar a confissão de outros envolvidos e punir qualquer pessoa ligada aos executores originais do crime. O clima de insegurança tomou conta do bairro onde os fatos ocorreram, levando as forças de segurança a intensificarem o monitoramento na região para evitar novos episódios de justiça com as próprias mãos.
Mandante e paradeiro desconhecido
Um dos pontos mais sensíveis da investigação é a identificação da mandante do crime contra o caseiro. A Polícia Civil afirma ter provas contundentes de que a própria filha de Milton de Sousa Prado planejou a morte do pai. Ela é considerada foragida pela justiça e sua localização permanece um mistério para os investigadores. A suspeita é de que ela tenha fugido para outro estado logo após o início das operações policiais que prenderam parte do grupo em novembro.
O depoimento de testemunhas protegidas indica que a filha mantinha conflitos financeiros e pessoais com a vítima. A DIG de Franca trabalha agora com o rastreamento de comunicações eletrônicas para tentar capturar a acusada. O envolvimento direto de familiares no planejamento do homicídio e nas subsequentes sessões de tortura contra terceiros destaca a complexidade das relações criminosas estabelecidas no submundo do interior de São Paulo.
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Contexto
O município de Franca tem registrado um aumento na tensão entre grupos rivais após uma série de homicídios interligados. O caso de Milton de Sousa Prado tornou-se o estopim para uma escalada de violência que resultou em ao menos três mortes confirmadas em um curto intervalo de tempo. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) indicam que o combate a organizações que promovem tribunais do crime é prioridade na região administrativa.
Historicamente, crimes que envolvem vingança familiar apresentam maior dificuldade de resolução devido à lei do silêncio imposta pelas lideranças locais. No entanto, a rápida ação dos agentes da Polícia Civil permitiu a identificação das seis mulheres e a interrupção do cárcere privado antes que novas execuções fossem realizadas, preservando a vida de ao menos quatro pessoas que estavam sob o domínio das criminosas.
Próximos passos
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O processo agora segue para o Ministério Público, que deve formalizar a denúncia contra as seis suspeitas. A justiça já autorizou a quebra de sigilo bancário da filha do caseiro para identificar possíveis financiadores de sua fuga. A polícia solicita que qualquer informação sobre o paradeiro da mandante seja repassada via Disque Denúncia (181), garantindo o anonimato absoluto do informante.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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