Funcionário de energia é preso em Maceió por extorsão contra comerciante
Suspeito teria exigido R$ 10 mil para não aplicar multa por suposta irregularidade em estabelecimento. Ação da PM resultou em prisão em flagrante na capital.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 08 de agosto de 2026 às 11:434 min de leitura

Homem vinculado a prestadora de serviço elétrico foi detido após exigir pagamento ilícito para evitar sanções administrativas em estabelecimento comercial.
Um funcionário de uma concessionária de energia elétrica foi preso em flagrante pela Polícia Militar nesta semana, em Maceió, sob a acusação de extorquir um comerciante local. O caso ocorreu após o suspeito alegar a existência de supostas irregularidades no medidor de consumo da empresa da vítima e exigir a quantia de R$ 10 mil para não lavrar o auto de infração e aplicar a multa correspondente. A prisão foi efetuada no momento em que a negociação ilícita avançava, revelando um esquema de corrupção privada que assusta o setor produtivo da capital alagoana.
A dinâmica da abordagem ilícita
Segundo informações registradas pela Polícia Militar, o funcionário chegou ao estabelecimento comercial e, após uma breve inspeção técnica, afirmou que o local apresentava falhas graves no sistema de medição. Utilizando-se do cargo e da autoridade técnica, o suspeito intimidou o proprietário, afirmando que o valor da penalidade oficial seria extremamente elevado. Inicialmente, a pedida para "ignorar" o problema foi de R$ 10 mil, mas, diante da resistência do comerciante, o valor foi renegociado pelo infrator para R$ 8 mil.
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Sentindo-se acuado, o empresário decidiu acionar as autoridades de segurança antes de efetuar qualquer transferência ou pagamento em espécie. A guarnição da PM montou uma estratégia de monitoramento e conseguiu abordar o indivíduo no exato momento em que ele aguardava a finalização do acordo financeiro espúrio. O homem, que não teve a identidade revelada devido à Lei de Abuso de Autoridade, foi conduzido à delegacia plantonista para prestar esclarecimentos e formalizar o flagrante.
A reação das autoridades e da empresa
A Polícia Civil de Alagoas agora investiga se o funcionário agia sozinho ou se há outros técnicos envolvidos em práticas semelhantes em diferentes bairros de Maceió. O material técnico utilizado pelo suspeito, bem como seu aparelho celular, foram apreendidos para perícia. A corporação reforçou a orientação para que nenhum cidadão aceite propostas de pagamentos "por fora" para técnicos de serviços públicos, devendo sempre exigir a documentação oficial e, em caso de suspeita de crime, ligar imediatamente para o 190.
A concessionária de energia, por meio de nota oficial, informou que repudia qualquer conduta ética desviante e que está colaborando integralmente com as investigações policiais. A empresa destacou que todos os seus procedimentos de fiscalização seguem protocolos rígidos e que nenhum colaborador está autorizado a receber valores diretamente dos clientes. O funcionário deve responder pelo crime de extorsão, previsto no Código Penal Brasileiro, com pena que pode chegar a 10 anos de reclusão.
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Contexto
Casos de extorsão envolvendo serviços essenciais têm sido monitorados com rigor em Alagoas. Em anos anteriores, operações conjuntas entre o Ministério Público e as forças de segurança desarticularam grupos que utilizavam o acesso privilegiado a dados de consumo para chantagear pequenos e médios empresários. O setor de comércio em Maceió é um dos motores da economia local, e a segurança jurídica para o funcionamento desses estabelecimentos é uma prioridade das entidades de classe, como a Associação Comercial de Maceió.
Especialistas em segurança pública alertam que a digitalização dos processos de fiscalização tem ajudado a reduzir a margem para esse tipo de crime, mas a interação física entre técnicos e consumidores ainda representa um ponto de vulnerabilidade. O uso de câmeras de segurança e a gravação de áudios durante inspeções técnicas são recomendados como formas de proteção para os comerciantes contra possíveis abusos de autoridade ou tentativas de suborno.
Próximos passos
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O suspeito passará por uma audiência de custódia onde a Justiça decidirá se ele responderá ao processo em liberdade ou se a prisão preventiva será decretada. Enquanto isso, a Polícia Civil busca identificar outras possíveis vítimas que possam ter cedido a pressões semelhantes nos últimos meses. O comerciante que denunciou o caso deve ser ouvido novamente nos próximos dias para detalhar o diálogo e a forma de pressão exercida pelo técnico.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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