Política

Governo Federal abre processo contra Viagogo por abusos na venda de ingressos

Ministério da Justiça investiga uso de robôs cambistas e design manipulativo em plataforma de revenda. Empresa pode enfrentar multas pesadas no Brasil.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 17:234 min de leitura

Governo Federal abre processo contra Viagogo por abusos na venda de ingressos
Resumo em 10 segundos

Investigação aponta práticas de publicidade enganosa, falta de transparência em preços e uso de sistemas automatizados para inflar valores de ingressos.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública oficializou, nesta terça-feira (21), a abertura de um processo administrativo contra a plataforma de revenda de ingressos Viagogo. A medida, publicada no Diário Oficial da União, fundamenta-se em indícios de violações sistemáticas ao Código de Defesa do Consumidor, incluindo a falta de clareza sobre a procedência dos bilhetes e a utilização de táticas psicológicas para pressionar o comprador durante a jornada de aquisição no ambiente digital.

Práticas abusivas e robôs cambistas

A fiscalização do governo brasileiro identificou que a empresa opera com o auxílio de robôs cambistas, softwares programados para adquirir grandes volumes de entradas no momento da abertura das vendas oficiais, esgotando o estoque em segundos. Esse mecanismo força o consumidor real a recorrer ao mercado secundário, onde a Viagogo atua, pagando valores exponencialmente superiores aos originais. O Ministério da Justiça destaca que essa prática desequilibra o mercado e prejudica diretamente o acesso à cultura e ao lazer.

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Além do uso de bots, a plataforma é acusada de aplicar o chamado dark patterns ou design manipulativo. Segundo a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), o site utiliza cronômetros regressivos falsos e alertas de escassez inexistentes para gerar ansiedade no usuário. Essas ferramentas induzem o cliente a finalizar a compra rapidamente, muitas vezes sem perceber taxas de serviço ocultas que só aparecem na etapa final do pagamento, elevando o custo final de forma abusiva.

Falta de rastreabilidade e segurança

Outro ponto crítico levantado pelas autoridades é a presença de vendedores não rastreáveis. A estrutura do site permite que terceiros comercializem ingressos sem a devida identificação, o que facilita a ocorrência de fraudes e a venda de bilhetes duplicados ou falsos. De acordo com a Senacon, a empresa falha ao não garantir a autenticidade do que é vendido em seu domínio, eximindo-se de responsabilidades quando o consumidor é impedido de entrar em eventos por irregularidades nos tickets.

O processo administrativo também aponta que a Viagogo não apresenta informações claras sobre o preço total da transação desde o início da navegação. O Governo Federal entende que a omissão de tributos e encargos administrativos configura publicidade enganosa, uma vez que o valor anunciado inicialmente nunca corresponde ao montante debitado no cartão de crédito do cidadão. A empresa terá um prazo legal para apresentar sua defesa técnica perante os órgãos reguladores.

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Contexto

A ofensiva do governo brasileiro contra plataformas de revenda ocorre em um momento de retomada total do setor de grandes eventos e shows internacionais no Brasil. Nos últimos meses, o volume de reclamações em órgãos como o Procon disparou, com consumidores relatando prejuízos financeiros e impossibilidade de contato com o suporte das empresas sediadas no exterior. A ação de hoje marca um endurecimento na postura da União contra gigantes da tecnologia que operam no país sem respeitar a legislação local.

Historicamente, o mercado de revenda de ingressos no Brasil sempre foi um terreno nebuloso, mas a digitalização do cambismo elevou o problema a uma escala industrial. A atuação do Ministério da Justiça busca criar um precedente para que outras plataformas de intermediação também sejam obrigadas a garantir a origem lícita dos produtos oferecidos e a transparência total sobre as taxas aplicadas, sob pena de suspensão das atividades em território nacional.

O que esperar

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A partir da notificação oficial, a plataforma possui 10 dias para se manifestar. Caso as irregularidades sejam confirmadas ao final do processo, a empresa poderá sofrer sanções severas, que incluem multas superiores a R$ 13 milhões, além de possíveis suspensões temporárias de suas operações no mercado brasileiro. O governo também estuda medidas integradas com a Polícia Federal para identificar as redes criminosas que operam os robôs de compra em massa.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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