Granizo gigante atinge o Rio Grande do Sul e causa danos em cidades dos Vales
Tempestades severas despejaram pedras de gelo do tamanho de ovos em Vale do Sol e Rio Pardo nesta terça-feira. Entenda o fenômeno meteorológico no RS.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 10:283 min de leitura

Fenômeno extremo de precipitação sólida assusta moradores e levanta alerta para instabilidade climática severa na Região dos Vales.
Moradores dos municípios de Vale do Sol e Rio Pardo, localizados na Região dos Vales no Rio Grande do Sul, foram surpreendidos na manhã desta terça-feira (21) por uma intensa tempestade de granizo. O fenômeno chamou a atenção pela dimensão das pedras de gelo, que atingiram o tamanho comparável ao de ovos de galinha, provocando danos materiais em telhados de residências e veículos estacionados em áreas descobertas.
Dinâmica da tempestade na Região dos Vales
A instabilidade climática começou a ganhar força nas primeiras horas do dia, quando nuvens de grande desenvolvimento vertical, conhecidas como Cumulonimbus, avançaram sobre o território gaúcho. Em Vale do Sol, o impacto foi sentido de forma imediata, com relatos de moradores que registraram a queda de gelo em volumes atípicos para a estação. A força do impacto foi suficiente para perfurar coberturas de fibrocimento e amassar a lataria de automóveis, gerando prejuízos que ainda estão sendo contabilizados pelas defesas civis locais.
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Em Rio Pardo, a situação não foi diferente. A precipitação ocorreu de forma isolada, mas com extrema violência em pontos específicos da zona urbana e rural. De acordo com a Defesa Civil, o monitoramento das áreas afetadas é prioritário para garantir a segurança da população, uma vez que a massa de ar instável continua atuando sobre o estado. O fenômeno é resultado do encontro de uma massa de ar quente e úmido vinda do norte com uma frente fria que avança pelo Sul do Brasil, criando o cenário perfeito para tempestades severas.
Como pedras de gelo atingem tamanhos extremos
A formação de granizo desse porte exige condições atmosféricas específicas. Dentro das nuvens de tempestade, as gotas de água são levadas por fortes correntes ascendentes para camadas muito altas e frias da atmosfera, onde as temperaturas estão abaixo de zero grau. Lá, elas congelam e começam a circular em um ciclo de subida e descida. Quanto mais fortes forem essas correntes de ar, mais tempo a pedra de gelo permanece na nuvem, acumulando novas camadas de água que congelam instantaneamente.
Quando o peso do granizo supera a força do vento que o sustenta, ou quando a corrente ascendente enfraquece, a pedra cai em direção ao solo. No caso registrado nesta terça-feira, a energia na atmosfera era tão elevada que permitiu que o gelo atingisse o diâmetro de ovos, mantendo sua estrutura sólida mesmo ao atravessar as camadas mais quentes próximas à superfície. Especialistas em meteorologia apontam que esse tipo de evento é um indicativo claro de convecção profunda, comum em períodos de transição climática.
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Contexto
O Rio Grande do Sul tem enfrentado um histórico recente de eventos climáticos extremos, variando entre secas prolongadas e enchentes devastadoras. A Região dos Vales é particularmente vulnerável a microexplosões e queda de granizo devido à sua topografia e à convergência de ventos. Dados históricos indicam que o estado é um dos corredores de tornados e tempestades mais ativos da América do Sul, perdendo apenas para as planícies centrais dos Estados Unidos em termos de frequência de fenômenos severos nesta latitude.
Próximos passos
As autoridades meteorológicas mantêm o alerta para o risco de novas tempestades nas próximas 24 horas. A orientação para os moradores de Vale do Sol, Rio Pardo e municípios vizinhos é buscar abrigo seguro durante as precipitações e evitar estacionar veículos debaixo de árvores ou placas de sinalização. As prefeituras locais devem iniciar o levantamento oficial de danos para verificar a necessidade de decretar situação de emergência em virtude dos estragos causados pelo gelo.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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