Greve de ônibus no Rio: Rodoviários rejeitam proposta e mantêm impasse

Após nova rodada de negociações no TRT-RJ, motoristas e cobradores recusam reajuste de 5% e mantêm estado de greve. Nova assembleia ocorre nesta quinta-feira.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 12:093 min de leitura

Greve de ônibus no Rio: Rodoviários rejeitam proposta e mantêm impasse
Resumo em 10 segundos

Categoria e empresas de transporte não chegam a consenso sobre reajuste salarial após quinta rodada de negociações no Tribunal Regional do Trabalho.

A quinta reunião de conciliação entre o Rio Ônibus e o sindicato que representa os motoristas e cobradores terminou sem um desfecho positivo nesta semana, no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ). Diante da falta de entendimento sobre as cláusulas econômicas, os profissionais decidiram manter o estado de greve em toda a capital fluminense, elevando a tensão sobre uma possível paralisação do sistema de transporte público nos próximos dias.

Detalhes da proposta negada

Durante a audiência mediada pela Justiça, o sindicato patronal, Rio Ônibus, apresentou uma contraproposta que previa um aumento de 5% nos salários da categoria. Além do reajuste nos vencimentos mensais, as empresas ofereceram uma correção de 6% no valor da cesta básica. No entanto, as lideranças dos trabalhadores consideraram os índices insuficientes para recompor as perdas inflacionárias do último período e atender às demandas de valorização da classe.

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Os representantes dos rodoviários argumentam que a proposta não reflete o custo de vida atual na cidade do Rio de Janeiro e que outros benefícios precisam ser discutidos com maior profundidade. Com a negativa imediata na mesa de negociações, o impasse jurídico se acirrou, deixando a população dependente de mais de 6 mil coletivos em alerta sobre o funcionamento das linhas.

Mobilização da categoria e novas assembleias

Após o encerramento da sessão no TRT-RJ, o sindicato dos trabalhadores convocou uma assembleia geral extraordinária para esta quinta-feira (23). O encontro servirá para que a base da categoria avalie os próximos passos do movimento e vote formalmente a deflagração ou não de uma greve por tempo indeterminado. Até lá, os rodoviários permanecem em prontidão, cumprindo as escalas de trabalho sob o regime de estado de greve.

As autoridades monitoram a situação, uma vez que uma paralisação total pode afetar o deslocamento de cerca de 2 milhões de passageiros diariamente. A prefeitura da capital e os órgãos de mobilidade urbana já estudam planos de contingência, mas reforçam que a solução depende exclusivamente do acordo entre o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário e as empresas concessionárias.

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Contexto

O setor de transporte coletivo no Rio de Janeiro atravessa uma crise estrutural que se arrasta desde o período da pandemia. As empresas alegam dificuldades financeiras devido ao congelamento de tarifas em anos anteriores e ao aumento de custos operacionais, como o diesel e a manutenção de frota. Por outro lado, os rodoviários denunciam a sobrecarga de trabalho e a falta de reajustes reais acima da inflação.

Nos últimos anos, o município implementou o subsídio tarifário para tentar equilibrar o sistema e garantir a renovação dos veículos, mas a medida ainda não foi capaz de pacificar as relações trabalhistas. Desde o início de 2024, as negociações têm sido marcadas por interrupções e pela necessidade de intervenção do Ministério Público do Trabalho para evitar o colapso do serviço essencial.

Próximos passos

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A expectativa agora se volta para a decisão da assembleia de quinta-feira. Caso os trabalhadores optem pela greve, o sindicato é obrigado por lei a comunicar a decisão com 72 horas de antecedência, por se tratar de um serviço essencial. Novas rodadas de conversa no Tribunal Regional do Trabalho podem ser agendadas de última hora na tentativa de evitar que a cidade amanheça sem ônibus na próxima semana.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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