Greve na Monte Cristo paralisa frotas e afeta passageiros em Belém

Trabalhadores da empresa Monte Cristo cruzam os braços por atrasos salariais e falta de benefícios, deixando bairros de Belém sem transporte nesta manhã.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 20 de julho de 2026 às 19:303 min de leitura

Resumo em 10 segundos

Trabalhadores da empresa de transportes cobram a regularização de pagamentos atrasados e benefícios essenciais para a categoria.

Uma paralisação inesperada dos rodoviários da empresa Monte Cristo pegou milhares de usuários do transporte público de surpresa na manhã desta terça-feira em Belém. O movimento, iniciado nas primeiras horas do dia, resultou na interrupção total das atividades nas garagens, impedindo que os coletivos circulassem pelas ruas da capital paraense. O protesto é motivado por graves pendências financeiras que afetam diretamente o sustento das famílias dos rodoviários.

Reivindicações da categoria

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belém (Sintrebel), a decisão de suspender os serviços ocorreu após tentativas frustradas de diálogo com a diretoria da empresa. Os funcionários denunciam o atraso no pagamento de salários, além da falta de repasse do vale-alimentação e de outros direitos trabalhistas previstos em convenção coletiva. A categoria afirma que a situação se tornou insustentável, uma vez que muitos profissionais estão com as contas básicas em atraso pela falta de previsibilidade nos recebimentos.

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Os manifestantes concentraram-se na porta da garagem da Monte Cristo, onde impediram a saída de qualquer veículo. Segundo lideranças do Sintrebel, a paralisação é por tempo indeterminado até que uma proposta concreta de quitação das dívidas seja apresentada pela empresa. O clima no local é de indignação, com os trabalhadores relatando que o descumprimento de prazos tem sido uma prática recorrente nos últimos meses, afetando o moral e a estabilidade financeira de motoristas e cobradores.

Impacto para a população

O reflexo da greve foi sentido imediatamente em diversos bairros da Região Metropolitana de Belém. Passageiros que dependem das linhas operadas pela empresa relataram longas esperas em paradas e terminais. Com menos ônibus nas ruas, as linhas de outras empresas ficaram sobrecarregadas, gerando aglomerações e atrasos generalizados para quem precisava chegar ao trabalho ou a compromissos médicos no centro da cidade e em áreas periféricas.

A Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) informou que está monitorando a situação para garantir que o impacto aos usuários seja minimizado. A autarquia destacou que as empresas de transporte têm obrigações contratuais a cumprir e que a falta de serviço prejudica o direito de ir e vir da população. Até o momento, não houve o anúncio de uma operação emergencial com outras empresas para cobrir os itinerários afetados pela greve da Monte Cristo.

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Contexto

A crise no sistema de transporte público de Belém não é um fato isolado. O setor vem enfrentando dificuldades financeiras que frequentemente resultam em paralisações por falta de pagamento. A empresa Monte Cristo já foi alvo de reclamações anteriores relacionadas à manutenção da frota e ao cumprimento de horários. Esse cenário de instabilidade gera uma insegurança constante tanto para os trabalhadores, que temem pelo emprego e pela renda, quanto para os cerca de 1 milhão de passageiros que utilizam o sistema diariamente na capital.

Dados da Semob indicam que a malha de transporte da cidade passa por um processo de tentativa de modernização, mas os conflitos trabalhistas e o endividamento de operadoras tradicionais continuam sendo o principal entrave para a melhoria do serviço. A pressão por reajustes tarifários em contraste com a qualidade do serviço oferecido é um ponto de debate frequente na Câmara Municipal de Belém e entre entidades de defesa do consumidor.

Próximos passos

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Uma reunião entre representantes da Monte Cristo e o sindicato da categoria deve ocorrer ainda hoje para tentar um acordo que ponha fim à paralisação. Caso não haja consenso sobre o cronograma de pagamentos, o Sintrebel não descarta a manutenção da greve para os próximos dias. A recomendação para os usuários é buscar rotas alternativas ou utilizar aplicativos de transporte enquanto a situação não é normalizada nas garagens da zona norte e sul.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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