Grupo Flor Serrana lança álbum que resgata o siriri e cururu em MT
Novo trabalho fonográfico celebra as tradições da Baixada Cuiabana com canções focadas na religiosidade e na identidade das comunidades rurais de Mato Grosso.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 08 de agosto de 2026 às 18:493 min de leitura

Trabalho fonográfico inédito reúne composições que exaltam a memória e a cultura popular das comunidades rurais da Baixada Cuiabana.
O cenário cultural de Mato Grosso ganha um novo e importante registro com o lançamento do álbum de estreia do Grupo Flor Serrana. O projeto, que chega ao público esta semana, reúne uma seleção de faixas dedicadas à preservação do siriri e do cururu, ritmos que são pilares da identidade mato-grossense. As gravações buscam imortalizar as sonoridades tradicionais que embalam as festas de santo e o cotidiano das populações residentes no interior do estado.
A sonoridade da tradição cuiabana
O repertório do álbum foi cuidadosamente selecionado para refletir a essência da Baixada Cuiabana. As letras abordam temas que variam desde a devoção religiosa até as lidas do campo, reforçando o papel da música como ferramenta de resistência cultural. O Grupo Flor Serrana utiliza instrumentos clássicos como a viola de cocho, o mocho e o ganzá, garantindo que a sonoridade original do siriri seja mantida sem as interferências da modernização excessiva que atinge outros gêneros regionais.
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Segundo os integrantes do coletivo, a produção deste disco é a realização de um sonho coletivo que visa documentar a herança deixada pelos mestres da cultura popular. O processo de gravação envolveu meses de pesquisa em comunidades rurais, onde a oralidade ainda é a principal forma de transmissão de conhecimento. O resultado é uma obra que serve tanto para o entretenimento quanto para o estudo antropológico da formação social de Mato Grosso.
Identidade e memória coletiva
Além do ritmo contagiante, o álbum se destaca pelo forte apelo à memória afetiva dos moradores da região. As canções de cururu, tradicionalmente marcadas pelo desafio de rimas e pela temática sacra, ocupam um lugar de honra no disco. O objetivo do Grupo Flor Serrana é garantir que as novas gerações tenham acesso a um material de alta qualidade técnica, mas que não perca a simplicidade e a alma das rodas de música feitas no quintal das casas de Cuiabá e cidades vizinhas.
Especialistas em folclore apontam que iniciativas como esta são fundamentais para a manutenção do título de patrimônio imaterial. O lançamento do álbum não representa apenas um produto comercial, mas um manifesto em defesa das raízes pantaneiras. Com arranjos que respeitam o tempo da dança e o compasso dos pés no chão, o grupo consegue transportar o ouvinte para o coração das festividades mais autênticas de Mato Grosso.
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Contexto
O siriri e o cururu são expressões culturais que remontam ao período colonial, fundindo influências indígenas, africanas e europeias. Em Mato Grosso, essas manifestações encontram seu reduto mais preservado na Baixada Cuiabana, onde as festas de padroeiros mobilizam cidades inteiras. Historicamente, a viola de cocho, instrumento símbolo do estado, é esculpida em tronco inteiriço de madeira, sendo o elemento central que dita o tom dessas celebrações centenárias.
Nos últimos anos, o governo estadual e órgãos de fomento têm buscado ampliar o registro dessas artes, uma vez que muitos mestres antigos estão falecendo sem deixar registros gravados de suas composições. O projeto do Grupo Flor Serrana surge justamente para preencher essa lacuna, utilizando a tecnologia de estúdio para salvar um patrimônio que, até então, existia majoritariamente na memória dos mais velhos.
O que esperar
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Com a chegada do álbum às plataformas digitais e em formato físico, o grupo planeja uma série de apresentações em escolas públicas e centros culturais para difundir o trabalho. A expectativa é que o disco sirva de base para oficinas de dança e música, fortalecendo a rede de artistas que atuam no segmento regionalista. A circulação do novo repertório deve aquecer o setor cultural local, atraindo atenção para a riqueza artística que floresce longe dos grandes centros urbanos.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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