Helicóptero que caiu em Roraima operava com certificado vencido há 10 anos

Relatório do Cenipa revela que aeronave envolvida em acidente fatal em Boa Vista estava irregular desde 2012 e piloto operava com licenças expiradas.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 14:053 min de leitura

Helicóptero que caiu em Roraima operava com certificado vencido há 10 anos
Resumo em 10 segundos

Investigação aponta série de irregularidades administrativas e técnicas em aeronave que vitimou duas pessoas na região do Água Boa.

Um grave acidente aéreo ocorrido na zona rural de Boa Vista teve seu desfecho técnico revelado por órgãos de fiscalização, confirmando que o helicóptero envolvido operava de forma clandestina. A queda, registrada no dia 12 de julho de 2022, resultou na morte imediata de dois homens após a aeronave perder sustentação e impactar o solo na região conhecida como Água Boa. O caso acende um alerta sobre a segurança aérea e a fiscalização de voos na região Norte do país.

Irregularidades na documentação

De acordo com o relatório final emitido pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), a aeronave modelo Robinson R44 apresentava uma situação documental crítica. O Certificado de Aeronavegabilidade (CA), documento essencial que atesta as condições de segurança para o voo, estava vencido há 10 anos. O registro aponta que o helicóptero não passava por vistorias oficiais obrigatórias desde o ano de 2012, operando totalmente à margem das normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

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Além da situação da máquina, a condição do operador também era irregular. Os investigadores identificaram que o piloto da aeronave estava com todas as suas habilitações técnicas vencidas. Mais grave ainda, o Certificado Médico Aeronáutico (CMA), que garante a aptidão física e mental do profissional para assumir o comando de um voo, também estava expirado no momento da tragédia. Tais fatores indicam que nem o equipamento, nem o condutor, possuíam autorização legal para decolar naquela terça-feira.

A dinâmica do acidente

O impacto ocorreu em uma área de vegetação fechada, dificultando o resgate inicial realizado pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Militar de Roraima. Testemunhas relataram ter ouvido ruídos anormais no motor antes de a aeronave iniciar uma descida brusca. O laudo técnico reforça que a falta de manutenção adequada, evidenciada pelo hiato de uma década sem certificação, é um fator determinante para falhas mecânicas catastróficas. A perícia no local do acidente não encontrou evidências de que o piloto tenha tentado uma manobra de autorrotação bem-sucedida para mitigar o impacto.

Contexto

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O estado de Roraima tem registrado um aumento na circulação de aeronaves de pequeno porte, muitas vezes ligadas a atividades logísticas em áreas remotas. A fiscalização aérea em regiões de fronteira e de difícil acesso enfrenta desafios logísticos, o que permite que aeronaves com manutenção vencida e operadores sem licença continuem voando. O acidente na região do Água Boa é um dos casos mais emblemáticos de negligência administrativa nos últimos anos no estado, expondo o risco que a aviação irregular traz para a segurança pública e para a vida dos ocupantes.

Historicamente, o modelo Robinson R44 exige revisões rigorosas a cada 12 anos ou 2.200 horas de voo, processo conhecido como revisão geral (overhaul). Como a aeronave estava com documentos vencidos desde 2012, é provável que componentes vitais estivessem operando muito além de sua vida útil recomendada pelos fabricantes e pelas autoridades de aviação civil.

Próximos passos

Com a conclusão do relatório do Cenipa, os dados serão encaminhados ao Ministério Público Federal para que se apurem eventuais responsabilidades criminais e cíveis. O objetivo é identificar os proprietários da aeronave e entender as circunstâncias que permitiram a operação de um veículo aéreo sem qualquer respaldo legal por tanto tempo. A fiscalização na região deve ser intensificada para coibir a prática de voos com documentação irregular e evitar novas perdas de vidas.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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