Igreja de Ouro: Franciscanos buscam fundos para restauro após tragédia
Um ano após o desabamento que vitimou um turista, a Ordem Terceira de São Francisco em Salvador inicia mobilização para recuperar o templo histórico.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 20 de julho de 2026 às 20:313 min de leitura

Ordem Terceira de São Francisco intensifica campanha para angariar recursos destinados à recuperação estrutural do templo histórico em Salvador.
A Ordem Terceira de São Francisco iniciou uma mobilização financeira para viabilizar a restauração da tradicional Igreja de Ouro, localizada no Centro Histórico de Salvador. O monumento religioso permanece com as portas fechadas desde o dia 5 de fevereiro de 2024, quando um desabamento parcial do teto atingiu a nave central da edificação, resultando na morte de um turista que visitava o local no momento do acidente. A medida busca devolver à capital baiana um de seus mais importantes cartões-postais barrocos.
O impacto do incidente e a interdição
O incidente ocorrido há pouco mais de um ano expôs a fragilidade de estruturas centenárias que compõem o patrimônio arquitetônico do Pelourinho. Na ocasião, a Defesa Civil de Salvador (Codesal) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizaram vistorias técnicas que culminaram na interdição total do imóvel. Desde então, a Igreja de São Francisco não recebe fiéis ou visitantes, o que gerou uma queda drástica na arrecadação da irmandade, dificultando a manutenção básica do complexo.
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Esforços para a captação de recursos
Segundo representantes da Ordem dos Franciscanos, o projeto de restauro é complexo e exige mão de obra altamente especializada devido à presença de talhas douradas e pinturas de valor incalculável. O orçamento para a recuperação completa ainda está sendo refinado, mas a instituição já busca parcerias com a iniciativa privada e órgãos governamentais. A campanha de arrecadação também se estende a doações diretas da comunidade e de devotos, visando garantir a estabilização imediata do telhado e a proteção do acervo interno contra as intempéries.
O valor histórico do monumento
Reconhecida mundialmente como uma das mais ricas expressões do barroco luso-brasileiro, a Igreja de Ouro é famosa por seu interior revestido com centenas de quilos de ouro em pó. O templo faz parte do conjunto tombado pela UNESCO e atrai anualmente milhares de pessoas de diversos países. A interdição prolongada afeta não apenas o turismo religioso, mas também o ecossistema econômico do Centro Histórico, que depende do fluxo de visitantes atraídos pela magnitude das igrejas baianas.
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Contexto
A conservação de edifícios históricos em Salvador tem sido um desafio constante para as autoridades e ordens religiosas. A umidade elevada da região costeira e a ação do tempo exigem investimentos contínuos que, muitas vezes, superam a capacidade financeira das irmandades. A Igreja de São Francisco passou por intervenções pontuais na última década, mas o colapso estrutural de 2024 evidenciou a necessidade de uma reforma profunda e sistêmica para garantir a segurança dos transeuntes e a preservação da memória nacional.
Próximos passos
O cronograma para o início das obras depende diretamente da celeridade na aprovação dos projetos pelos órgãos de fiscalização e do sucesso na captação do montante necessário. A Ordem Terceira espera que, com a sensibilização da sociedade civil e o apoio do Governo Federal, as intervenções possam começar ainda no segundo semestre de 2025, permitindo a reabertura gradual do templo para a celebração de missas e visitação turística segura.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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