Impasses sobre indenização travam entrega de novo parque na Zona Sul de SP
Disputa judicial sobre valor de terreno no Jardim Alfomares, em Santo Amaro, impede criação de área verde após mudança drástica no zoneamento da região.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 05:023 min de leitura

Divergência financeira entre Poder Público e proprietários paralisa projeto de preservação ambiental em terreno de 63 mil metros quadrados.
A criação de uma nova área de preservação em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, enfrenta um impasse jurídico que impede o avanço do cronograma municipal. O foco da disputa é o terreno do Jardim Alfomares, uma área de 63 mil metros quadrados coberta por vegetação nativa da Mata Atlântica. O conflito central reside no valor da indenização que a Prefeitura de São Paulo deverá pagar aos atuais donos para efetivar a desapropriação e converter o espaço em um parque público.
A queda drástica nos valores periciais
O ponto de maior atrito no processo judicial refere-se à reavaliação do montante indenizatório após alterações nas regras de uso do solo. Inicialmente, estimativas apontavam que o terreno valeria cerca de R$ 115 milhões. No entanto, após a área ser oficialmente reclassificada como Zona de Proteção Ambiental (ZEPAM), uma nova perícia técnica indicou que o valor de mercado despencou para R$ 11,5 milhões. Essa redução de 90% no preço estimado gerou uma batalha de laudos entre os defensores do patrimônio público e os representantes dos proprietários.
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Impacto do zoneamento e preservação
De acordo com a legislação urbanística da capital paulista, a transformação do Jardim Alfomares em zona protegida limita severamente o potencial construtivo do local. Enquanto os proprietários argumentam que a indenização deve considerar o valor comercial prévio, o entendimento técnico reforçado pela Justiça de São Paulo em etapas preliminares sugere que o pagamento deve refletir a realidade atual do zoneamento, que prioriza a manutenção da biodiversidade e impede a subida de grandes empreendimentos imobiliários naquelas coordenadas.
Mobilização da sociedade civil
A preservação da área é uma demanda antiga de moradores e movimentos ambientais da Zona Sul. O terreno abriga espécies raras da flora e fauna remanescentes da floresta tropical, funcionando como um importante respiro urbano em uma região densamente povoada. Para os defensores do parque, a demora na resolução do conflito judicial coloca em risco a integridade da mata, uma vez que a área permanece em um limbo administrativo enquanto aguarda a sentença final sobre o depósito da indenização.
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Contexto
O histórico de disputas por áreas verdes em São Paulo é marcado por casos semelhantes, onde a pressão imobiliária colide com a necessidade de expansão de parques. No caso específico de Santo Amaro, a mudança de zoneamento foi uma ferramenta estratégica utilizada pelo plano diretor para evitar o desmatamento, mas abriu precedentes para questionamentos sobre o direito de propriedade e o justo valor em desapropriações públicas.
O que esperar
Os próximos passos dependem de uma decisão definitiva do Tribunal de Justiça, que deverá homologar um valor final para a transação. Somente após o depósito judicial desse montante é que o município poderá tomar posse da área e iniciar as intervenções para a abertura do Parque Jardim Alfomares. Até lá, a área segue fechada ao público e sob monitoramento ambiental rigoroso para evitar invasões ou degradação do ecossistema.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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