Insônia: 40% dos brasileiros usam remédios inadequados para dormir

Estudo da USP revela que 4 em cada 10 pessoas utilizam substâncias sem indicação clínica para tratar distúrbios do sono, gerando riscos graves à saúde.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 07 de agosto de 2026 às 22:003 min de leitura

Insônia: 40% dos brasileiros usam remédios inadequados para dormir
Resumo em 10 segundos

Pesquisa alerta para o uso indiscriminado de substâncias sem prescrição médica que podem agravar quadros de distúrbios do sono no Brasil.

Um levantamento recente conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) revela um cenário preocupante sobre a saúde pública nacional: 40% dos brasileiros que sofrem de insônia admitem utilizar medicamentos que não possuem indicação primária para o tratamento da doença. O estudo aponta que a automedicação ocorre, em grande parte, devido à facilidade de acesso a esses produtos em farmácias de todo o Brasil, uma vez que muitos não exigem a retenção de receita médica.

O perigo dos efeitos colaterais

A investigação acadêmica detalha que a escolha por esses fármacos, muitas vezes pertencentes à classe dos anti-histamínicos ou relaxantes musculares, baseia-se em um efeito secundário: a sonolência. O paciente, na tentativa de interromper o ciclo de noites em claro, busca substâncias que provocam a sedação como efeito colateral, ignorando que tais compostos não tratam a causa raiz da insônia e podem comprometer a qualidade do sono profundo, essencial para a restauração do organismo.

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Especialistas da Faculdade de Medicina da USP explicam que o uso desses remédios "por conta própria" mascara sintomas de patologias mais graves, como a apneia obstrutiva do sono ou transtornos de ansiedade. Além disso, a ingestão contínua pode levar à tolerância, fazendo com que o indivíduo precise de doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito inicial, o que eleva o risco de intoxicação e danos ao fígado e ao sistema nervoso central.

Facilidade de acesso e falta de informação

Outro ponto crucial destacado pelo relatório é a ausência de barreiras regulatórias para a compra desses itens. Diferente dos hipnóticos e benzodiazepínicos, que são controlados rigidamente pela Anvisa, os medicamentos citados na pesquisa são de venda livre. Isso cria uma falsa sensação de segurança na população, que acaba substituindo a consulta com um médico especialista pela indicação de conhecidos ou buscas superficiais na internet, agravando o problema da automedicação no país.

Os dados mostram que a incidência é maior entre adultos na faixa dos 30 aos 50 anos, período da vida marcado por altos níveis de estresse profissional. Segundo os pesquisadores, a busca por uma "solução rápida" impede que o paciente adote medidas de higiene do sono, que são fundamentais para o tratamento eficaz da insônia crônica, sem a necessidade de intervenções químicas de alto risco a longo prazo.

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Contexto

A insônia é considerada uma epidemia global pela Organização Mundial da Saúde (OMS), afetando a produtividade e a saúde mental de milhões de pessoas. No Brasil, a prevalência de distúrbios do sono cresceu significativamente nos últimos anos, impulsionada pelo uso excessivo de telas antes de dormir e pela rotina exaustiva nas grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro.

Historicamente, o país apresenta altos índices de consumo de medicamentos sem orientação profissional. Dados de órgãos de vigilância sanitária indicam que o setor de medicamentos isentos de prescrição movimenta bilhões de reais anualmente, refletindo um comportamento cultural onde a farmácia é vista como o primeiro recurso de saúde, antes mesmo do diagnóstico clínico adequado.

O que esperar

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Diante dos resultados, a comunidade médica espera que o estudo sirva de base para novas campanhas de conscientização e possíveis revisões na classificação de venda de certos fármacos. A recomendação fundamental é que indivíduos com dificuldades para dormir por mais de três vezes na semana busquem auxílio de um neurologista ou psiquiatra para um diagnóstico preciso, evitando o uso de substâncias paliativas que podem trazer prejuízos irreversíveis à saúde.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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