Investigação revela fraude e venda de vagas em concurso da Câmara de Minduri

Esquema envolvia manipulação de notas e pagamentos de R$ 15 mil para garantir aprovação em concurso público no Sul de Minas Gerais. Confira os detalhes.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 07:473 min de leitura

Investigação revela fraude e venda de vagas em concurso da Câmara de Minduri
Resumo em 10 segundos

Ministério Público aponta esquema de corrupção e manipulação de resultados em certame legislativo no Sul de Minas.

Uma operação deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais colocou sob suspeita a integridade do concurso público realizado pela Câmara Municipal de Minduri, no Sul de Minas. As investigações apontam que candidatos estariam pagando valores ilícitos para garantir a aprovação em cargos públicos, subvertendo o processo de seleção que deveria ser pautado pela meritocracia. O esquema, que envolve a adulteração direta de documentos oficiais, gerou uma série de mandados de busca e apreensão na região nesta quarta-feira.

A mecânica da fraude e os valores envolvidos

De acordo com os promotores de justiça, a organização criminosa operava através da venda direta de vagas. Os interessados em ingressar no serviço público da Câmara de Minduri chegavam a desembolsar a quantia de R$ 15 mil para assegurar a classificação dentro do número de vagas. O pagamento garantia que o nome do beneficiário figurasse na lista de aprovados, independentemente do desempenho real demonstrado durante a realização dos exames objetivos.

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Manipulação sistemática de notas

O ponto mais crítico da investigação revela que a fraude ocorria após a aplicação das provas. O Ministério Público identificou indícios robustos de que as notas eram alteradas nos sistemas ou nos cartões de resposta para inflar a pontuação dos compradores das vagas. Essa manobra permitia que candidatos com desempenho insuficiente ultrapassassem concorrentes legítimos, consolidando a fraude documental e o estelionato contra a administração pública da cidade mineira.

O papel da empresa organizadora

As autoridades também apuram a participação da empresa responsável pela logística e correção do certame. Há suspeitas de que a banca organizadora estivesse em conluio com agentes políticos e intermediários para facilitar o acesso aos gabaritos ou permitir a troca de cartões de resposta. A Justiça de Minas Gerais autorizou o recolhimento de computadores e documentos tanto na sede da Câmara Municipal quanto nos endereços ligados aos gestores do concurso para periciar a extensão do dano.

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Contexto

Casos de irregularidades em concursos de pequenas prefeituras e câmaras no interior de Minas Gerais têm sido alvo frequente de fiscalização. Em 2023, diversas operações similares foram realizadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) para desarticular quadrilhas que transformam o emprego público em mercadoria. Em Minduri, a população aguarda o desfecho das investigações, que podem resultar na anulação total das provas e na demissão de eventuais servidores já empossados.

Próximos passos

O Ministério Público deve apresentar a denúncia formal nos próximos dias, solicitando o bloqueio de bens dos envolvidos e a suspensão imediata dos efeitos do concurso. Os candidatos que pagaram pela aprovação também podem responder criminalmente por corrupção ativa. A Câmara de Minduri ainda não se manifestou oficialmente sobre o afastamento de servidores ou sobre a realização de um novo processo seletivo para preencher as vacâncias legislativas.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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