Iporá: Mãe e filha mantêm tradição de pastelaria 24h há quatro décadas

Conheça a história de Loirão e Elaine, que operam uma jornada ininterrupta em Iporá para atender o público que sai das festas locais há mais de 40 anos.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 11:104 min de leitura

Iporá: Mãe e filha mantêm tradição de pastelaria 24h há quatro décadas
Resumo em 10 segundos

Resistência e tradição marcam a rotina de mulheres que transformaram a madrugada em sustento e ponto de encontro regional.

No coração de Iporá, no interior de Goiás, a rotina de Loirão e sua filha, Elaine, desafia o relógio e o cansaço físico. Todos os finais de semana, a dupla assume o comando de uma barraca de pastéis que se tornou parada obrigatória para quem circula pela cidade. A operação, que já soma mais de 40 anos de história, é marcada por uma jornada exaustiva que começa às 14h de sábado e só termina por volta das 12h de domingo, totalizando quase um dia inteiro de trabalho ininterrupto.

O fôlego de uma tradição familiar

A dinâmica de trabalho na barraca é intensa e exige um preparo que começa muito antes do primeiro cliente chegar. Loirão, a matriarca que iniciou o negócio há quatro décadas, mantém o rigor na produção artesanal dos alimentos. Ao lado de Elaine, ela organiza o estoque e o atendimento para receber o fluxo que atinge o ápice durante a madrugada. O estabelecimento não é apenas um local de comércio, mas um patrimônio cultural imaterial da vida noturna de Iporá, resistindo a crises econômicas e mudanças geracionais.

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O público é diversificado, mas o foco principal são os jovens e trabalhadores que saem das festas e eventos da região. Enquanto a maioria da cidade dorme, a pastelaria ferve com o óleo quente e o atendimento ágil. Segundo relatos de frequentadores locais, o local funciona como um termômetro social da cidade, onde as histórias das festas terminam entre uma mordida e outra. Para as proprietárias, o segredo da longevidade está na qualidade do produto e na conexão pessoal estabelecida com os clientes ao longo de 44 anos.

O desafio da jornada de 22 horas

Manter as portas abertas por quase 22 horas seguidas impõe um desgaste que poucos conseguiriam suportar. Elaine destaca que a preparação física e mental é essencial para lidar com o público da madrugada, que muitas vezes chega ao local após horas de celebração. O faturamento desse período é crucial para a manutenção da família e para o giro de capital do pequeno empreendimento. A logística envolve desde a compra de insumos frescos até a limpeza rigorosa do espaço após o encerramento das atividades no domingo ao meio-dia.

A barraca da Loirão sobreviveu ao tempo mantendo a simplicidade. Em um mercado cada vez mais dominado por franquias e aplicativos de entrega, a permanência de um balcão físico que atravessa a noite reforça o valor do comércio de rua. A fidelidade dos clientes é o que motiva a dupla a continuar. Muitos dos que hoje levam seus filhos para comer no local eram crianças quando Loirão fritou seus primeiros pastéis na década de 1980.

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Contexto

O setor de alimentação fora do lar em cidades do interior de Goiás possui características únicas, onde a confiança e a proximidade com o dono do estabelecimento são diferenciais competitivos. Em Iporá, o setor de serviços é um dos pilares da economia local, e a vida noturna movimenta uma cadeia que vai de músicos a produtores de eventos. Negócios familiares como o de Loirão e Elaine representam a base dessa economia, operando com baixo custo fixo, mas com uma carga horária que supera em muito o padrão da CLT.

Historicamente, as barracas de rua no Brasil surgiram como alternativa de renda para mulheres chefes de família. O caso de Iporá ilustra perfeitamente essa transição, onde um bico temporário se transformou em uma carreira de quatro décadas. A sucessão familiar, vista na presença de Elaine, garante que o legado não se perca, mantendo viva a memória gastronômica da cidade de Goiás.

O que esperar

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Mesmo com o passar dos anos, não há sinais de aposentadoria para a dupla. O plano é continuar aprimorando o atendimento e manter a barraca como o ponto final de todos os grandes eventos da região. A expectativa é que a tradição continue a atrair turistas e moradores, consolidando a pastelaria como um ícone da resistência do pequeno empreendedor brasileiro.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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