Jacareí inicia processo de desapropriação da fábrica da Caoa Chery

Prefeitura de Jacareí notifica Grupo CAOA sobre a retomada da área industrial após dois anos de paralisação das atividades e demissões em massa na unidade.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 20 de julho de 2026 às 16:263 min de leitura

Jacareí inicia processo de desapropriação da fábrica da Caoa Chery
Resumo em 10 segundos

Administração municipal decide retomar terreno de 1 milhão de metros quadrados após descumprimento de função social pela montadora.

O prefeito de Jacareí, Celso Florêncio, oficializou nesta semana o início do processo de desapropriação do complexo industrial ocupado pela Caoa Chery. A medida foi comunicada formalmente por meio de um ofício enviado ao presidente do Grupo CAOA, Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho, e ao representante da Chery International Brasil, Cláudio Guowei Xu, marcando uma guinada drástica na relação entre o poder público e a fabricante de veículos.

Retomada estratégica do polo industrial

A decisão da Prefeitura de Jacareí fundamenta-se na necessidade de garantir que a área, localizada em um ponto logístico privilegiado do Vale do Paraíba, volte a gerar empregos e renda para a população local. Desde que a montadora anunciou a suspensão das atividades produtivas, o terreno de aproximadamente 1 milhão de metros quadrados permanece subutilizado, o que, na visão da gestão municipal, fere o princípio da função social da propriedade previsto na Constituição Federal.

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De acordo com o governo municipal, a permanência da estrutura desativada impede a chegada de novos investimentos e empresas interessadas em ocupar o espaço para operações fabris. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do município reforça que a vacância prolongada de um ativo industrial desse porte gera prejuízos econômicos em cascata, afetando a arrecadação de tributos e o dinamismo do setor de serviços da região.

Histórico de paralisação e demissões

O imbróglio teve início em maio de 2022, quando a Caoa Chery decidiu interromper a fabricação de veículos na unidade de Jacareí sob a justificativa de realizar uma modernização da planta para a produção de carros elétricos. No entanto, o fechamento temporário resultou na demissão de centenas de trabalhadores e no esvaziamento das linhas de montagem, sem que um cronograma concreto de reabertura fosse apresentado de forma satisfatória às autoridades.

O Sindicato dos Metalúrgicos da região acompanhou de perto o processo de desmonte, que impactou diretamente a vida de famílias que dependiam da operação. Durante os últimos dois anos, diversas reuniões foram realizadas entre a prefeitura e a diretoria da empresa, mas a falta de avanços reais na retomada da produção motivou a medida extrema de intervenção por parte do prefeito Celso Florêncio.

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Contexto

A unidade de Jacareí foi inaugurada com grande expectativa em 2014, representando a primeira fábrica de veículos de passeio de uma marca chinesa fora da China. Com investimentos que superaram a marca de US$ 400 milhões à época, a planta era vista como o motor de crescimento do setor automotivo no interior paulista. A parceria entre a brasileira CAOA e a estatal chinesa Chery consolidou-se em 2017, prometendo uma nova era tecnológica para a unidade.

Entretanto, as mudanças no cenário econômico global e a transição para a mobilidade elétrica alteraram os planos das companhias. Enquanto outras plantas do grupo, como a de Anápolis, em Goiás, mantiveram ritmo de crescimento, a fábrica de Jacareí entrou em um limbo operacional que agora culmina na tentativa de retomada do imóvel pelo poder público para fins de utilidade pública.

Próximos passos

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A partir da notificação oficial, a Procuradoria Geral do Município deve dar seguimento aos trâmites jurídicos para a avaliação do valor da área e a formalização do decreto de desapropriação. Espera-se que o Grupo CAOA apresente uma contestação judicial, o que pode levar a uma disputa nos tribunais sobre o valor das indenizações e o direito de posse. A prefeitura, por sua vez, pretende atrair um novo consórcio industrial para ocupar o local o mais breve possível.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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