Javalis avançam em Mato Grosso do Sul e devastam produção agrícola
Espécie invasora causa prejuízos milionários em lavouras de milho e ameaça áreas de preservação ambiental. Ibama mantém regras rígidas para o manejo legal.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 20 de julho de 2026 às 15:343 min de leitura

Avanço de espécie exótica compromete a biodiversidade e a rentabilidade do agronegócio no Centro-Oeste brasileiro.
Uma invasão silenciosa e destrutiva de javalis está colocando em xeque a produtividade rural em Mato Grosso do Sul. Durante a atual safra, produtores relatam perdas significativas em plantações de milho e danos severos em áreas de preservação permanente, onde os animais destroem nascentes e afugentam a fauna nativa. O problema, que se arrasta há anos, atingiu um novo patamar de gravidade, exigindo ações coordenadas entre o Governo Federal e órgãos de fiscalização ambiental.
Impacto nas lavouras e no ecossistema
Os ataques ocorrem majoritariamente durante o período noturno, quando varas de javaporcos — cruzamento do javali europeu com o porco doméstico — invadem as propriedades. De acordo com relatos de agricultores da região de Dourados e Maracaju, a capacidade de destruição desses animais é avassaladora, sendo capazes de devastar hectares inteiros em poucos dias. Além do prejuízo financeiro direto, a presença da espécie invasora resulta na compactação do solo e na contaminação de cursos d'água, uma vez que os animais chafurdam em nascentes para se refrescar.
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O controle e a regulamentação do Ibama
Atualmente, o javali é a única espécie cuja caça é permitida no Brasil, mas sob critérios extremamente rigorosos definidos pelo Ibama. O manejo para controle populacional deve ser realizado apenas por pessoas cadastradas no Sistema de Monitoramento de Fauna (Simaf). Segundo as normas vigentes, é obrigatória a emissão de uma autorização prévia e a entrega periódica de relatórios sobre os animais abatidos. O uso de armas de fogo para este fim também depende de autorização expedida pelo Exército Brasileiro, seguindo as diretrizes da Lei 10.826/03.
Riscos sanitários e ameaça à pecuária
Para além do dano ambiental, as autoridades sanitárias alertam para o risco de doenças. O Ministério da Agricultura e Pecuária monitora a circulação desses animais devido ao potencial de transmissão da Peste Suína Clássica e da Febre Aftosa. Como os javalis circulam livremente entre propriedades e áreas de mata, eles atuam como vetores que podem comprometer o status sanitário do Mato Grosso do Sul, afetando diretamente as exportações de carne suína e bovina, pilares da economia do Centro-Oeste.
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Contexto
O javali europeu foi introduzido no Brasil na década de 1980, inicialmente para fins comerciais no Rio Grande do Sul. Sem predadores naturais e com uma alta taxa reprodutiva, a espécie se espalhou rapidamente por todo o território nacional. Em 2013, o Ibama declarou a nocividade da espécie, permitindo o controle populacional. Estima-se que a população desses animais cresça de forma exponencial se não houver intervenção humana constante, tornando-se uma das maiores ameaças biológicas da atualidade.
Próximos passos
O setor produtivo agora pressiona por uma maior desburocratização no acesso às licenças de manejo. Enquanto isso, o Ibama reforça que o controle deve ser feito de forma técnica para evitar que outras espécies nativas sejam atingidas por engano. A expectativa é que novas diretrizes de monitoramento via satélite sejam implementadas ainda em 2024 para mapear as rotas de migração desses animais e otimizar as ações de contenção nas fronteiras agrícolas.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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