Jovem morta em supermercado tentou cancelar medida protetiva dias antes

Vítima relatou à Justiça que não se sentia mais ameaçada por ex-companheiro antes de ser assassinada em seu local de trabalho. Polícia Civil investiga o crime.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 14:023 min de leitura

Jovem morta em supermercado tentou cancelar medida protetiva dias antes
Resumo em 10 segundos

Investigações revelam que operadora de caixa acreditava no fim das hostilidades antes de ser vítima de feminicídio no local de trabalho.

A jovem Rayane de Oliveira, de 22 anos, que foi assassinada a tiros dentro de um supermercado onde trabalhava, havia solicitado à Justiça a revogação de uma medida protetiva contra o ex-companheiro apenas cinco dias antes do crime. O caso, ocorrido na tarde da última terça-feira, chocou a comunidade local pela brutalidade e pelo histórico de tentativas da vítima de retomar a normalidade de sua rotina.

Detalhes do ataque planejado

De acordo com informações da Polícia Civil, o principal suspeito do crime, um homem de 25 anos que não aceitava o término do relacionamento, monitorou os passos da vítima. Ele teria aguardado estrategicamente o momento em que a operadora de caixa encerrava seu turno para realizar a abordagem. No pátio do estabelecimento, o agressor efetuou ao menos quatro disparos contra a jovem, que não teve chance de defesa e morreu antes da chegada do socorro médico.

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A tentativa de conciliação e o risco

Documentos obtidos pela investigação apontam que a vítima protocolou um pedido formal alegando que não se sentia mais ameaçada pelo ex-parceiro. No depoimento registrado no Juizado de Violência Doméstica, ela afirmou que ambos haviam estabelecido um diálogo amigável e que a restrição judicial não era mais necessária. Essa percepção de segurança, no entanto, é vista por especialistas como um período de vulnerabilidade, muitas vezes utilizado pelo agressor para ganhar a confiança da vítima antes de agir.

O que dizem as autoridades

A Secretaria de Segurança Pública informou que o suspeito fugiu logo após os disparos em uma motocicleta. Agentes da Delegacia de Homicídios realizaram buscas em endereços ligados ao homem, mas ele permanece foragido. Testemunhas e colegas de trabalho da vítima prestaram depoimento e confirmaram que o histórico de conflitos era recorrente desde o fim do namoro, ocorrido há cerca de seis meses. A arma utilizada no crime ainda não foi localizada pelos investigadores.

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Contexto

O caso de Rayane acende um alerta sobre a eficácia e a continuidade das políticas de proteção à mulher no Brasil. Dados recentes indicam que o feminicídio é frequentemente precedido por um ciclo de violência que alterna entre agressões e pedidos de perdão. A desistência de medidas protetivas é um fenômeno comum, muitas vezes motivado por pressão psicológica ou pela falsa sensação de que o perigo cessou após um período de trégua temporária do agressor.

Próximos passos

A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do suspeito e aguarda o resultado da perícia técnica realizada no local do crime. O corpo da jovem foi sepultado sob forte comoção de familiares, que agora clamam por justiça e por maior rigor na fiscalização de casos de violência doméstica em todo o estado.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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