Justiça da Bahia afasta seis policiais por morte de guia em Caraíva
Decisão judicial determina suspensão imediata de agentes envolvidos em operação que resultou na morte de guia de turismo e outra vítima no litoral sul baiano.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 12:004 min de leitura

Afastamento preventivo visa garantir a integridade da instrução criminal após denúncia do Ministério Público contra agentes da Polícia Militar.
A Justiça da Bahia determinou o afastamento imediato de seis policiais militares denunciados pelo Ministério Público por envolvimento em uma operação que resultou na morte de um guia de turismo e outra pessoa no distrito de Caraíva, em Porto Seguro. A decisão, proferida nesta semana, atende a um pedido da promotoria após a aceitação da denúncia, transformando os agentes em réus em uma ação penal que agora tramita oficialmente na Vara do Júri da comarca local.
Detalhes da decisão judicial
Além da suspensão das atividades ostensivas, o juiz responsável pelo caso estabeleceu medidas cautelares rigorosas para os acusados. Os seis agentes estão terminantemente proibidos de manter qualquer tipo de contato com os familiares das vítimas ou com as testemunhas arroladas no processo. A medida busca evitar possíveis episódios de coação ou interferência na coleta de provas durante a fase de instrução processual, considerada crítica para o desfecho do julgamento em Porto Seguro.
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De acordo com o Tribunal de Justiça da Bahia, o afastamento das funções públicas é uma resposta à gravidade dos fatos narrados na denúncia. Os policiais devem entregar suas armas de fogo e identidades funcionais enquanto durar a tramitação do processo. A decisão reflete a necessidade de assegurar a ordem pública e a confiança nas instituições, dado que o crime ocorreu durante uma operação oficial em um dos destinos turísticos mais visitados do Sul da Bahia.
O que diz a denúncia
A peça acusatória do Ministério Público da Bahia detalha que a ação policial que culminou nos óbitos apresentou indícios de irregularidades graves. O guia de turismo, figura conhecida na comunidade de Caraíva, foi atingido em circunstâncias que, segundo as investigações preliminares, não justificariam o uso de força letal. A denúncia aponta que a conduta dos militares divergiu dos protocolos de abordagem estabelecidos pela Secretaria de Segurança Pública, resultando em uma tragédia que gerou forte comoção social na região.
Os réus responderão por homicídio qualificado, com agravantes que serão discutidos durante as audiências. A defesa dos policiais terá um prazo legal para apresentar a resposta à acusação, tentando contestar os laudos periciais e os depoimentos colhidos na fase de inquérito. O caso é acompanhado de perto por entidades de Direitos Humanos, que cobram celeridade na punição dos responsáveis e transparência total sobre as táticas utilizadas pela Polícia Militar em áreas periféricas e turísticas.
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Contexto
O episódio insere-se em um cenário de crescente debate sobre a letalidade policial no estado da Bahia, que tem registrado índices elevados de mortes em confrontos. O distrito de Caraíva, conhecido mundialmente por sua preservação ambiental e tranquilidade, viu sua rotina alterada pelo crime, gerando protestos de moradores e trabalhadores do setor de turismo. Dados oficiais indicam que operações em zonas de veraneio têm sido alvo de fiscalização rigorosa por parte do Conselho Nacional de Justiça e órgãos de controle externo.
A morte do guia de turismo não foi um evento isolado, mas um estopim para que a comunidade local exigisse maior rigor na formação e na supervisão de guarnições destacadas para o interior baiano. Historicamente, casos envolvendo agentes de segurança em Porto Seguro enfrentam longos períodos de tramitação, o que torna o afastamento preventivo atual um marco importante para a celeridade jurídica esperada pela sociedade civil.
Próximos passos
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Com o recebimento da denúncia pela Vara do Júri, o processo entra agora na fase de oitivas, onde serão ouvidas as testemunhas de acusação e defesa. Caso o magistrado entenda que há indícios suficientes de autoria e materialidade ao final desta etapa, os seis policiais poderão ser levados a Júri Popular. A expectativa é que as primeiras audiências ocorram ainda no segundo semestre de 2024, mantendo o afastamento dos servidores até nova deliberação judicial.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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