Justiça de Pernambuco concede liberdade ao padre Airton Freire
Decisão judicial revoga prisão domiciliar de Airton Freire após quase três anos de medidas cautelares em Pernambuco. Confira os detalhes do caso no BS1.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 08:383 min de leitura

Tribunal de Justiça de Pernambuco decide pelo relaxamento das medidas restritivas contra o criador da Fundação Terra após absolvição parcial.
A Justiça de Pernambuco determinou a revogação da prisão domiciliar do padre Airton Freire, permitindo que o religioso responda aos processos em liberdade. A decisão, proferida nesta semana, fundamenta-se no excesso de prazo das medidas cautelares, que já se estendiam por quase três anos. O magistrado responsável pelo caso entendeu que a manutenção da restrição de liberdade não se justifica mais diante do atual estágio das investigações e dos ritos processuais em curso no Estado.
Detalhes da decisão judicial
O relaxamento da medida cautelar ocorre em um momento estratégico para a defesa do religioso. Há cerca de quatro meses, o padre Airton Freire foi absolvido em uma das ações penais que tramitavam contra ele, o que enfraqueceu os argumentos para a manutenção da prisão domiciliar. Segundo o Tribunal de Justiça, a demora para a conclusão dos demais processos ultrapassou o limite do razoável, configurando o chamado excesso de prazo, princípio jurídico que impede que um réu permaneça sob custódia por tempo indeterminado sem uma condenação definitiva.
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Com a nova determinação, o criador da Fundação Terra deixa de ser monitorado por tornozeleira eletrônica e não precisa mais permanecer em tempo integral em sua residência. No entanto, a Justiça impôs condições para a concessão do benefício, como a proibição de manter contato com as supostas vítimas e a obrigatoriedade de comparecer a todos os atos do processo quando solicitado pela comarca de Arcoverde ou instâncias superiores em Recife.
Histórico das investigações
O caso que envolve o padre Airton Freire ganhou repercussão nacional em maio de 2023, quando surgiram as primeiras denúncias de crimes sexuais que teriam ocorrido no âmbito da instituição de caridade fundada por ele. O religioso chegou a ser preso preventivamente em um presídio em Arcoverde, mas, devido ao seu estado de saúde delicado, a defesa conseguiu converter a detenção em prisão domiciliar. Durante o período de reclusão, o padre passou por intervenções médicas e acompanhamento rigoroso devido a problemas cardíacos crônicos.
A defesa do sacerdote sempre negou veementemente todas as acusações, sustentando que não existem provas materiais que comprovem os relatos apresentados. Para os advogados que representam o padre Airton, a liberdade concedida agora é um passo fundamental para restabelecer a presunção de inocência. Por outro lado, o Ministério Público de Pernambuco ainda analisa o teor da decisão para verificar se recorrerá da liberação, mantendo o foco na proteção das testemunhas envolvidas nos processos remanescentes.
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Contexto
A Fundação Terra, sediada em Arcoverde, no Sertão de Pernambuco, é uma das instituições filantrópicas mais conhecidas do Nordeste, atuando há mais de 30 anos no auxílio a famílias em situação de vulnerabilidade social. O padre Airton Freire, figura central da organização, era visto como uma liderança espiritual influente antes das denúncias que abalaram a estrutura da fundação e levaram ao seu afastamento das funções eclesiásticas pela Diocese de Pesqueira.
Desde o início do escândalo, a gestão da Fundação Terra buscou se desvincular da imagem pessoal do seu fundador para garantir a continuidade dos serviços prestados à comunidade. O impacto das investigações resultou em uma queda temporária nas doações, mas a entidade afirma que os projetos educativos e de saúde permanecem ativos, independentemente do desfecho jurídico envolvendo o religioso de 68 anos.
Próximos passos
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O processo agora segue para as fases finais de instrução e julgamento das ações que ainda restam. A expectativa é que novas audiências sejam agendadas para o segundo semestre de 2024, onde serão ouvidas testemunhas de defesa e acusação. Enquanto isso, o padre Airton Freire deverá permanecer em endereços fixos informados ao Judiciário, aguardando o julgamento do mérito das demais queixas apresentadas contra ele na Justiça pernambucana.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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