Justiça investiga diretora de saúde por usar verba pública em plásticas
Ministério Público aponta que Brenda Tavares Moura, gestora em Paracatu (MG), teria furado fila do SUS para realizar procedimentos estéticos com dinheiro público.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 05:023 min de leitura

Investigação aponta desvio de finalidade e privilégios no sistema público de saúde para custear cirurgias estéticas particulares.
O Ministério Público de Minas Gerais iniciou uma ofensiva jurídica contra a atual diretora de saúde da cidade de Paracatu, no Noroeste mineiro, sob a acusação de improbidade administrativa. A servidora Brenda Tavares Moura é suspeita de utilizar sua posição de influência e recursos do erário para realizar procedimentos cirúrgicos de cunho estético, como a colocação de próteses de silicone e a retirada de excesso de pele abdominal, burlando as regras de prioridade do Sistema Único de Saúde (SUS).
O esquema de privilégios na gestão
De acordo com a denúncia protocolada pelos promotores, a gestora teria articulado a liberação de guias e o pagamento das intervenções médicas durante o ano de 2025. O documento detalha que os procedimentos foram realizados em uma unidade conveniada, mas sem que houvesse qualquer indicação clínica de urgência ou necessidade reparadora que justificasse o uso de dinheiro público. A acusação sustenta que Brenda Tavares Moura se aproveitou do comando da pasta para acelerar trâmites que, para a população comum, levam anos em filas de espera.
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As investigações apontam que o custo total das cirurgias ultrapassou a marca de R$ 30 mil, valor que deveria ter sido destinado a exames de alta complexidade ou cirurgias eletivas represadas no município de Paracatu. O Ministério Público afirma que houve uma clara violação dos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa, uma vez que a diretora teria agido em benefício próprio, ignorando os protocolos estabelecidos pela Secretaria Municipal de Saúde.
Impacto no atendimento público
Auditores que analisaram o fluxo de caixa da saúde municipal identificaram irregularidades no empenho das verbas utilizadas para cobrir os honorários médicos e as despesas hospitalares da servidora. Enquanto a diretora passava pelos procedimentos de mamoplastia e abdominoplastia, o sistema de saúde local enfrentava um déficit no atendimento de especialidades básicas. O Conselho Municipal de Saúde já solicitou o afastamento imediato da gestora para que as provas não sejam comprometidas durante a instrução do processo.
Contexto
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O município de Paracatu tem sido alvo de fiscalizações rigorosas nos últimos anos devido a denúncias de má gestão em recursos federais destinados à saúde. Casos de fura-fila em cirurgias eletivas são monitorados de perto pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), que busca coibir o uso político de vagas em hospitais públicos. Em Minas Gerais, a fila para cirurgias plásticas reparadoras via SUS conta com milhares de pacientes aguardando por anos para corrigir deformidades funcionais.
O que esperar
Caso as acusações sejam confirmadas pelo Judiciário, a diretora poderá enfrentar a perda do cargo público, a suspensão dos direitos políticos e a obrigatoriedade de ressarcir integralmente os cofres da prefeitura de Paracatu. A defesa da servidora ainda não se manifestou oficialmente sobre o mérito das acusações, mas espera-se que um depoimento formal ocorra na próxima quinta-feira perante a promotoria de justiça local.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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