Lei Maria da Penha: duas décadas da legislação que mudou o Brasil
Conheça a história da farmacêutica Maria da Penha, cujas tentativas de feminicídio em Fortaleza motivaram a criação da lei de proteção às mulheres.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 07 de agosto de 2026 às 11:453 min de leitura

Marco legal completa 20 anos como principal ferramenta de combate à violência doméstica e proteção da integridade feminina em território nacional.
A farmacêutica bioquímica Maria da Penha Maia Fernandes tornou-se o símbolo da luta contra a impunidade no Ceará e em todo o país após sobreviver a duas tentativas de feminicídio em 1983. O caso, ocorrido em Fortaleza, expôs as falhas do sistema judiciário brasileiro da época e culminou, anos depois, na sanção da Lei 11.340/2006, que hoje é o pilar jurídico para punir agressores e prevenir crimes de gênero no ambiente familiar.
O histórico de agressões e o crime
O cotidiano de violência na residência da família começou a se agravar muito antes do desfecho trágico. Durante o casamento, a vítima sofria agressões constantes que eram mascaradas pela convivência social. Em maio de 1983, o cenário atingiu o ápice quando o então marido, um professor universitário, disparou um tiro de espingarda contra Maria da Penha enquanto ela dormia. A farmacêutica sobreviveu ao ataque, mas ficou paraplégica em decorrência da lesão medular causada pelo projétil.
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A segunda tentativa e a busca por justiça
Apenas duas semanas após retornar do hospital, a vítima sofreu um novo atentado dentro de sua própria casa. O agressor tentou eletrocutá-la durante o banho, evidenciando a intenção deliberada de ceifar sua vida. Diante da inércia das autoridades locais, o caso arrastou-se nos tribunais por quase duas décadas. A demora na punição levou o episódio a instâncias internacionais, forçando o Estado Brasileiro a reconhecer sua negligência e a implementar mudanças estruturais no Código Penal.
O impacto da legislação no cotidiano
A criação da lei em 2006 trouxe mecanismos inéditos, como as medidas protetivas de urgência, que permitem o afastamento imediato do agressor do lar. De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a norma permitiu que milhares de mulheres rompessem o ciclo de violência antes que ele evoluísse para o óbito. Além da punição física, a lei passou a tipificar a violência psicológica, sexual, patrimonial e moral, ampliando a rede de acolhimento em delegacias especializadas e centros de assistência social.
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Contexto
Antes da vigência da Lei Maria da Penha, crimes de violência doméstica eram frequentemente tratados como infrações de menor potencial ofensivo, muitas vezes punidos apenas com o pagamento de cestas básicas. A pressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos foi decisiva para que o Brasil fosse condenado por omissão, obrigando o governo federal a formular uma política pública eficiente que garantisse a segurança das cidadãs dentro de suas próprias casas.
O que esperar
Embora a legislação seja considerada uma das três melhores do mundo pela Organização das Nações Unidas (ONU), o desafio atual reside na interiorização do atendimento e na celeridade dos julgamentos. Especialistas defendem que o fortalecimento das Patrulhas Maria da Penha e o investimento em educação de gênero nas escolas são os próximos passos fundamentais para reduzir os índices de feminicídio que ainda desafiam as estatísticas de segurança pública no Brasil.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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