Linha 12-Safira sofre panes no segundo dia sob gestão privada em SP
Falha em equipamento de via entre Tatuapé e Engenheiro Goulart causa atrasos e revolta passageiros na primeira semana da nova concessão ferroviária de São Paulo.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 11:463 min de leitura

Problemas técnicos em equipamentos de via geram atrasos e plataformas lotadas na zona leste da capital paulista.
Uma falha técnica em um equipamento de via comprometeu a circulação de trens na Linha 12-Safira na manhã desta quarta-feira (22), afetando milhares de passageiros que utilizam o trecho entre as estações Tatuapé e Engenheiro Goulart. O incidente ocorre apenas 24 horas após o Grupo Comporte, liderado pelo empresário Nenê Constantino, assumir oficialmente a operação de mais de 100 quilômetros da malha ferroviária que anteriormente pertencia ao Estado.
Impactos na operação e revolta dos usuários
O problema foi identificado logo nas primeiras horas da manhã, período de pico em que a demanda por transporte público é máxima na Zona Leste. De acordo com relatos de usuários e monitoramento local, os trens circularam com velocidade reduzida e maior tempo de parada nas plataformas, gerando aglomerações críticas. A concessionária privada confirmou que a instabilidade foi causada por uma desconformidade em um componente de sinalização, o que obrigou o Centro de Controle Operacional a adotar protocolos de segurança mais rígidos, atrasando o fluxo das composições.
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Nas redes sociais e nos acessos às estações, o clima era de indignação entre os trabalhadores. Muitos passageiros relataram tempos de espera superiores a 30 minutos para conseguir embarcar nos vagões já superlotados. A operação assistida, que deveria garantir uma transição suave entre o modelo estatal e o privado, enfrentou seu primeiro grande teste de estresse sob críticas severas quanto à capacidade de resposta rápida da nova gestão diante de imprevistos técnicos recorrentes.
Manutenção e resposta da concessionária
Equipes de engenharia e manutenção foram deslocadas para o trecho entre Tatuapé e Engenheiro Goulart para realizar os reparos emergenciais. Segundo a empresa operadora, o foco inicial foi estabilizar o sistema de energia e sinalização para retomar o intervalo regular de trens. A concessionária afirmou que está trabalhando em um plano de modernização intensivo para os próximos 12 meses, visando reduzir as falhas herdadas da infraestrutura antiga, mas não deu garantias de que novos episódios não ocorrerão no curto prazo.
A transição da malha ferroviária para o setor privado envolve um contrato bilionário que prevê investimentos em novos trens e na reforma das estações. No entanto, o início conturbado levanta questionamentos sobre a preparação das equipes contratadas pelo Grupo Comporte para lidar com a complexidade da malha de São Paulo. A Secretaria de Transportes Metropolitanos informou que acompanha o caso e que a concessionária pode ser multada caso o descumprimento dos índices de qualidade previstos em contrato seja recorrente.
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Contexto
A privatização deste lote ferroviário faz parte de um amplo programa de desestatização do governo paulista, que transferiu a responsabilidade de linhas estratégicas para o consórcio vencedor do leilão realizado no ano passado. O Grupo Comporte, tradicional no setor de transporte rodoviário, faz sua estreia na operação de trilhos de alta densidade na maior metrópole do país, gerindo um sistema que transporta cerca de 270 mil pessoas diariamente apenas na Linha 12-Safira.
Historicamente, a malha ferroviária da região metropolitana sofre com a falta de investimentos em manutenção preventiva, o que resulta em falhas constantes de sinalização e rede aérea. A promessa da nova administração é injetar mais de R$ 3 bilhões ao longo da concessão para reverter esse quadro, mas o cenário encontrado nas primeiras 48 horas de gestão mostra que os desafios logísticos são maiores do que o antecipado inicialmente pelos investidores.
O que esperar
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A expectativa é que a operação seja totalmente normalizada até o final do dia, embora o sistema continue operando em estado de atenção. A concessionária deverá apresentar um relatório técnico detalhando as causas da falha de hoje para os órgãos reguladores. Passageiros que utilizam as integrações com o Metrô e outras linhas da CPTM devem ficar atentos aos canais oficiais de comunicação para evitar trechos com maior lentidão durante o horário de pico do final da tarde.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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