Maradona enfrentou isolamento e graves crises de saúde antes de morrer
Novos depoimentos no julgamento sobre a morte de Diego Maradona revelam quadro de abstinência, incontinência e comportamento hostil em seus últimos dias.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 07 de agosto de 2026 às 15:133 min de leitura

Relatos judiciais detalham o declínio físico e psicológico do astro argentino durante o período de recuperação em sua residência.
O julgamento que apura as circunstâncias da morte de Diego Armando Maradona ganhou novos contornos nesta semana com o depoimento de Aníbal Domínguez, cuidador que acompanhou o ex-jogador em seus momentos finais. Segundo as declarações prestadas à Justiça da Argentina, o ídolo mundial enfrentava um quadro severo de abstinência, episódios de incontinência urinária e demonstrava um comportamento extremamente hostil com as pessoas que tentavam auxiliá-lo em sua rotina na casa em Tigre.
O cotidiano de isolamento e crises
De acordo com o depoimento colhido durante a audiência, a rotina do eterno camisa 10 era marcada por um isolamento progressivo. O cuidador afirmou que Maradona tratava a equipe de apoio com agressividade, recusando-se, muitas vezes, a receber cuidados básicos de higiene e saúde. O profissional relatou que o craque sofria de problemas de controle de esfíncter, o que agravava seu estado de vulnerabilidade e irritabilidade constante nas semanas que antecederam o dia 25 de novembro de 2020.
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As revelações apontam que o ambiente na residência era de tensão permanente. O cuidador descreveu que o ex-atleta passava a maior parte do tempo em seu quarto, apresentando sinais claros de desorientação e sofrimento físico decorrente da crise de abstinência. A defesa das vítimas e a acusação buscam entender se essa resistência de Maradona foi usada como pretexto pela equipe médica para negligenciar o monitoramento rigoroso que o caso exigia após a cirurgia no cérebro.
Falhas no protocolo de atendimento
O depoimento de Aníbal Domínguez é peça-chave para a promotoria, que tenta comprovar que a internação domiciliar foi precária e insuficiente. O cuidador destacou que, apesar das necessidades evidentes do paciente, não havia uma estrutura hospitalar adequada montada no local. O foco das investigações recai sobre oito profissionais de saúde, incluindo o neurocirurgião Leopoldo Luque e a psiquiatra Agustina Cosachov, acusados de homicídio com dolo eventual.
Para as autoridades judiciais, os novos relatos reforçam a tese de que o estado de saúde de Maradona era muito mais crítico do que o reportado nos boletins oficiais da época. A dificuldade em lidar com o temperamento do paciente teria resultado em uma omissão de socorro, uma vez que o quadro de incontinência e a falta de mobilidade indicavam uma deterioração orgânica acelerada que não foi contida a tempo pelos responsáveis técnicos.
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Contexto
Diego Maradona faleceu aos 60 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória, apenas algumas semanas depois de ter sido submetido a uma cirurgia para a drenagem de um hematoma subdural. A morte causou comoção global e iniciou uma batalha jurídica complexa para determinar se o óbito poderia ter sido evitado caso o atendimento médico tivesse seguido protocolos internacionais de terapia intensiva.
O processo judicial na Argentina já dura mais de três anos e analisa milhares de mensagens de texto e áudios trocados pela equipe médica. Os peritos oficiais já indicaram em relatórios anteriores que o tratamento foi inadequado, deficiente e temerário, abandonando o paciente à própria sorte em um momento de extrema fragilidade biológica.
O que esperar
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As audiências devem continuar ao longo dos próximos meses, com a convocação de mais testemunhas e especialistas em ética médica. O veredito é aguardado com ansiedade pela família e pelos fãs, podendo resultar em penas severas de prisão para os envolvidos. A expectativa é que o depoimento do cuidador sirva de base para confrontar as versões dos médicos sobre o real nível de consciência e cooperação de Maradona em seus últimos dias de vida.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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