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Marine Le Pen recorre de condenação por desvio de verbas europeias

Líder da extrema direita francesa contesta sentença de prisão e inelegibilidade em caso de uso indevido de fundos do Parlamento Europeu. Entenda o processo.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 15:043 min de leitura

Marine Le Pen recorre de condenação por desvio de verbas europeias
Resumo em 10 segundos

Defesa da líder política francesa busca anular decisão judicial que impõe cinco anos de inelegibilidade e pena de prisão.

A principal figura da oposição na França, Marine Le Pen, apresentou um recurso formal contra a sentença que a condenou por desvio de recursos públicos do Parlamento Europeu. A decisão, proferida pelo Tribunal Correcional de Paris, estabeleceu uma pena de cinco anos de prisão (sendo dois deles em regime fechado passível de ajuste) e a proibição de disputar cargos eletivos pelo mesmo período. O caso centraliza-se na acusação de que o partido Reagrupamento Nacional (RN) utilizou verbas europeias para pagar funcionários que, na verdade, trabalhavam exclusivamente para a legenda em solo francês.

Detalhes da condenação e o recurso

O corpo jurídico de Marine Le Pen protocolou a apelação alegando que não houve dolo ou apropriação indébita de valores para fins pessoais. A condenação atinge não apenas a ex-candidata à presidência, mas também outros 24 corréus, incluindo ex-eurodeputados e assistentes parlamentares. A Justiça da França entendeu que o esquema funcionou de forma sistêmica entre 2004 e 2016, gerando um prejuízo estimado em 4,5 milhões de euros aos cofres da União Europeia. Com o recurso, a execução da pena de inelegibilidade fica suspensa até um novo julgamento, o que mantém, temporariamente, as pretensões políticas da líder direitista.

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O impacto no cenário político francês

Para os promotores do Ministério Público Financeiro, as provas colhidas demonstram que o RN criou um "sistema de gestão" para aliviar as finanças do partido utilizando subsídios destinados ao exercício do mandato parlamentar em Estrasburgo. Durante o julgamento, Marine Le Pen negou as irregularidades e classificou o processo como uma tentativa de "morte política" orquestrada pelo sistema judiciário. Caso a sentença seja mantida em segunda instância, a política poderá ser impedida de participar das eleições presidenciais de 2027, onde atualmente figura como uma das favoritas nas pesquisas de intenção de voto.

A estrutura do suposto esquema

As investigações apontam que contratos de assistentes parlamentares eram forjados para camuflar o pagamento de secretários, designers e consultores que atuavam diretamente na sede do partido em Nanterre. Segundo os magistrados, esses funcionários raramente compareciam ao Parlamento Europeu e não realizavam tarefas ligadas à legislação comunitária. A sentença também impôs uma multa de 300 mil euros pessoalmente a Le Pen, além de uma penalidade de 2 milhões de euros para o partido Reagrupamento Nacional.

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Contexto

Este não é o primeiro embate da família Le Pen com o judiciário, mas é considerado o mais grave devido à cláusula de inelegibilidade imediata solicitada pela promotoria. O avanço da direita nacionalista na Europa tem colocado as finanças desses partidos sob intenso escrutínio das autoridades de auditoria do bloco. Em casos anteriores, o Parlamento Europeu já havia exigido o reembolso de quantias vultosas por irregularidades administrativas semelhantes, mas o desdobramento criminal em Paris eleva a crise a um patamar institucional sem precedentes para o Reagrupamento Nacional.

O que esperar

O processo de apelação pode levar entre um a dois anos para ser concluído, o que coloca o desfecho jurídico próximo ao início da campanha eleitoral de 2027. Se os tribunais superiores confirmarem a decisão atual, o partido terá que encontrar um novo nome para liderar a chapa presidencial, possivelmente focando em Jordan Bardella, atual presidente da legenda. Enquanto isso, a defesa aposta em questionar a competência da justiça francesa para julgar questões internas de administração de verbas da União Europeia, tentando transferir o foco do mérito criminal para uma disputa de jurisdição internacional.

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