Mato Grosso registra 84 mil eleitores analfabetos para as Eleições 2026
Dados do TSE revelam que grupo de eleitores sem instrução formal em Mato Grosso é oito vezes menor que o número de cidadãos com ensino médio completo.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 08 de agosto de 2026 às 08:293 min de leitura

Levantamento aponta disparidade educacional no eleitorado mato-grossense e resgata histórico de direitos políticos da população.
O estado de Mato Grosso chega ao ciclo das Eleições 2026 com um contingente de 84 mil eleitores analfabetos aptos a exercer o voto. O dado, extraído das estatísticas oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela um cenário de contrastes no perfil educacional da região Centro-Oeste. Enquanto milhares ainda não dominam a escrita e a leitura, o grupo de cidadãos que concluíram o ensino médio já é oito vezes maior que o volume de pessoas sem instrução formal no estado.
Perfil do eleitorado regional
A distribuição dos níveis de escolaridade em Mato Grosso reflete um avanço gradual no acesso à educação básica, mas ainda expõe feridas sociais profundas. O volume de 84 mil cidadãos que se declaram analfabetos representa uma parcela significativa da população que depende de recursos visuais e auditivos, como a foto e o número do candidato na urna eletrônica, para manifestar sua vontade política. Esse grupo, embora minoritário frente aos mais de 600 mil eleitores com ensino médio, mantém um peso decisivo em pleitos municipais e estaduais.
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Segundo especialistas em demografia eleitoral, a concentração de eleitores sem alfabetização costuma ser maior em zonas rurais e entre a população com idade superior a 60 anos. O desafio da Justiça Eleitoral para o pleito de 2026 será garantir que as campanhas de conscientização cheguem a esse público, facilitando o acesso à informação e combatendo a disseminação de notícias falsas que possam confundir quem possui limitações de leitura.
Histórico da conquista do voto
A presença desse grupo nas estatísticas oficiais é um marco democrático relativamente recente na história do Brasil. As pessoas analfabetas recuperaram o direito constitucional de votar apenas em 1985, por meio de uma emenda à Constituição de 1967, após um hiato de mais de um século de exclusão. Durante o período imperial e grande parte da era republicana, a restrição ao voto era utilizada como ferramenta de controle das elites políticas, impedindo que a base da pirâmide social influenciasse os rumos do país.
A redemocratização, consolidada pela Constituição de 1988, reafirmou o voto como facultativo para os analfabetos, garantindo-lhes a cidadania plena, embora ainda persistam debates sobre a elegibilidade desses cidadãos. Em Mato Grosso, a evolução dos números mostra que, apesar da redução percentual ao longo das décadas, o estado ainda precisa investir em políticas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) para reduzir a dependência desse formato de inclusão precária.
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Contexto
O cenário mato-grossense é um espelho das desigualdades regionais brasileiras. Historicamente, o Brasil manteve uma das legislações eleitorais mais restritivas do mundo em relação ao nível de instrução. A proibição do voto para quem não sabia ler ou escrever foi instituída formalmente em 1881, com a Lei Saraiva, e perdurou por décadas sob a justificativa de que o eleitor precisava de discernimento técnico para escolher seus representantes.
Atualmente, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) trabalha com softwares de acessibilidade nas urnas, permitindo que o eleitor analfabeto utilize a identificação por imagem. Os dados de 2024 e as projeções para 2026 indicam que, embora o número absoluto de analfabetos esteja em queda, o ritmo de alfabetização de adultos no Centro-Oeste ainda não foi suficiente para zerar essa estatística nas próximas duas décadas.
O que esperar
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Para o pleito de outubro de 2026, espera-se que os partidos políticos intensifiquem estratégias de comunicação direta, utilizando jingles e vídeos curtos, visando atingir os 84 mil mato-grossenses que compõem esse nicho. A tendência é que a Justiça Eleitoral amplie os treinamentos de mesários para auxiliar esse público no dia da votação, garantindo que o exercício da democracia ocorra sem intercorrências técnicas ou constrangimentos.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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