Médica alvo de operação por fraude de R$ 27 milhões atuou na Santa Casa

Olívia Jafar, investigada na Operação Gutenberg por desvios em contratos de livros e regulação do SUS, manteve plantões médicos em Campo Grande até janeiro.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 19:143 min de leitura

Médica alvo de operação por fraude de R$ 27 milhões atuou na Santa Casa
Resumo em 10 segundos

Investigada por integrar esquema de corrupção e fraude em licitações, profissional de saúde mantinha rotina de atendimentos em hospital de referência.

A médica Olívia Jafar, um dos alvos centrais da Operação Gutenberg, manteve suas atividades profissionais regulares na Santa Casa de Campo Grande até o mês de janeiro de 2024. A investigação, conduzida por forças policiais e órgãos de controle, apura um esquema milionário que teria desviado cerca de R$ 27 milhões por meio de contratos fraudulentos para a compra de livros e manipulação da regulação de vagas do Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul.

Detalhes da atuação profissional

Mesmo sob a mira das autoridades, a médica cumpria escalas de plantão na unidade hospitalar, que é o maior hospital de Mato Grosso do Sul. Documentos internos e registros de presença confirmam que a investigada estava inserida na rotina de atendimentos de urgência e emergência até poucas semanas antes do desdobramento ostensivo da operação. A administração da Santa Casa informou que a profissional não faz parte do quadro efetivo, mas prestava serviços via empresa terceirizada, e que as escalas foram suspensas após a ciência dos fatos.

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O esquema de desvios e fraudes

De acordo com a Polícia Federal e o Ministério Público, o grupo criminoso operava em duas frentes principais. A primeira envolvia o superfaturamento e o direcionamento de licitações para a aquisição de materiais didáticos e livros por prefeituras do interior do estado. A segunda frente, considerada ainda mais sensível, diz respeito à suposta interferência na fila de regulação do SUS. Os investigadores apontam que o grupo utilizava influências políticas e técnicas para furar a fila de espera por procedimentos e internações, beneficiando interesses particulares em detrimento da saúde pública.

A Operação Gutenberg

A ofensiva policial resultou no cumprimento de mandados de busca, apreensão e prisões preventivas. Durante as diligências, foram confiscados documentos, dispositivos eletrônicos e veículos de luxo vinculados aos suspeitos. A Justiça Estadual determinou o bloqueio de bens no valor de R$ 27,6 milhões para garantir o ressarcimento aos cofres públicos. A operação recebeu este nome em alusão ao inventor da prensa móvel, uma referência direta ao objeto central das fraudes: a comercialização irregular de livros.

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Contexto

Casos de corrupção envolvendo a regulação de vagas no SUS têm se tornado um desafio para as autoridades de Mato Grosso do Sul. O sistema de regulação é projetado para garantir que o paciente com maior gravidade seja atendido primeiro, mas a fragilidade nos controles digitais e a pressão de agentes externos podem comprometer a equidade do atendimento. Em 2023, auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) já haviam sinalizado inconsistências em contratos de educação em municípios que agora são foco da Operação Gutenberg.

O setor de saúde pública no estado enfrenta uma crise de superlotação, o que torna as denúncias de fura-fila ainda mais graves perante a opinião pública. A investigação atual busca rastrear se o dinheiro desviado dos livros foi utilizado para financiar campanhas políticas ou se serviu apenas para o enriquecimento ilícito dos envolvidos, incluindo agentes públicos e empresários do setor editorial.

Próximos passos

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O processo agora entra na fase de análise do material apreendido e depoimentos dos custodiados. A defesa de Olívia Jafar e dos demais citados no inquérito ainda não se manifestou detalhadamente sobre o teor das acusações, alegando que aguarda o acesso integral aos autos. O Conselho Regional de Medicina (CRM-MS) poderá abrir uma sindicância ética para avaliar a conduta da médica, o que pode resultar em sanções que variam de advertência à cassação do registro profissional.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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