Melanoma: entenda a agressividade do câncer que vitimou o médico Jacinto Lay

Apesar de representar 4% dos casos de tumores de pele, o melanoma é o tipo mais letal devido à alta capacidade de metástase em órgãos vitais como o cérebro.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 13:434 min de leitura

Melanoma: entenda a agressividade do câncer que vitimou o médico Jacinto Lay
Resumo em 10 segundos

A alta capacidade de disseminação para órgãos vitais torna o melanoma o tipo mais perigoso de câncer de pele, exigindo diagnóstico imediato.

A morte do renomado neurocirurgião Jacinto Lay, em Teresina, acendeu um alerta sobre a gravidade do melanoma. Embora seja menos frequente que outros tipos de carcinoma, este tumor é caracterizado por sua agressividade extrema e pela velocidade com que atinge o sistema linfático. Especialistas apontam que a detecção precoce é o único caminho para reduzir a taxa de mortalidade, que permanece elevada quando a doença atinge estágios avançados.

A letalidade silenciosa do tumor

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o melanoma representa apenas 4% das neoplasias malignas de pele registradas no Brasil. No entanto, ele é responsável pela grande maioria das mortes decorrentes da doença. A principal característica que diferencia este câncer dos demais é a sua origem nos melanócitos, as células produtoras de pigmento. Quando essas células sofrem mutações, elas adquirem uma capacidade incomum de se desprender do local de origem e navegar pela corrente sanguínea.

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Uma vez no sistema circulatório, as células cancerígenas do melanoma possuem afinidade com órgãos nobres. É comum que pacientes em estágios avançados apresentem metástases no cérebro, pulmão e fígado. No caso de Jacinto Lay, o médico já enfrentava um quadro complexo que mobilizou a comunidade médica do Piauí, evidenciando que, mesmo com acesso a tratamentos de ponta, a biologia agressiva do tumor pode ser determinante para o desfecho clínico.

Fatores de risco e sinais de alerta

O surgimento do melanoma está fortemente ligado à exposição solar sem proteção e ao histórico familiar. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), pessoas de pele clara, com muitas sardas ou que sofreram queimaduras solares graves durante a infância compõem o principal grupo de risco. O autoexame é uma ferramenta crucial, onde se deve observar a regra do ABCD: Assimetria, Bordas irregulares, Cor variável e Diâmetro maior que 6 milímetros.

A evolução de uma pinta pré-existente ou o surgimento de uma nova mancha escura que muda de formato rapidamente são sinais que não podem ser ignorados. Médicos oncologistas reforçam que, se descoberto no estágio inicial, as chances de cura do melanoma superam os 90%. Contudo, a negligência com pequenas lesões cutâneas permite que o câncer se aprofunde nas camadas da pele, alcançando vasos que facilitam o espalhamento para outras partes do corpo.

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Avanços no tratamento oncológico

Nos últimos anos, o tratamento para o melanoma avançado passou por uma revolução com a chegada da imunoterapia e das terapias alvo. Diferente da quimioterapia convencional, essas medicações estimulam o sistema imunológico do próprio paciente a reconhecer e destruir as células tumorais. O uso desses fármacos tem prolongado a sobrevida de pacientes que antes teriam prognósticos de poucos meses, mas o custo elevado e a disponibilidade no Sistema Único de Saúde (SUS) ainda representam desafios estruturais.

Contexto

O cenário do câncer de pele no Brasil é preocupante devido à alta incidência de radiação ultravioleta durante todo o ano, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. O país registra anualmente cerca de 185 mil novos casos de tumores cutâneos, sendo o melanoma a variante que mais exige investimentos em campanhas de conscientização e biópsias preventivas.

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A perda de profissionais de saúde de destaque, como o doutor Jacinto Lay, reforça a necessidade de debates públicos sobre a prevenção. O neurocirurgião era uma figura respeitada na medicina piauiense, e sua batalha contra a doença mobilizou colegas e pacientes, servindo agora como um doloroso lembrete sobre a importância de monitorar a saúde da pele com rigor científico.

O que esperar

As autoridades de saúde devem intensificar as campanhas do Dezembro Laranja, mês dedicado à prevenção do câncer de pele, com foco na identificação do melanoma. A expectativa da comunidade médica é que o avanço das pesquisas genéticas permita tratamentos ainda mais personalizados, reduzindo os efeitos colaterais e aumentando as taxas de remissão mesmo em casos de metástase diagnosticada.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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