Mestra de 78 anos preserva a tradição da renda labirinto em Alagoas
Artesã de Marechal Deodoro dedica sete décadas ao ofício secular que transforma fios em arte, lutando para manter viva a herança cultural da renda labirinto.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 17:353 min de leitura

Aos 78 anos de idade, artesã de Marechal Deodoro simboliza a resistência e a continuidade de uma técnica têxtil secular no Nordeste brasileiro.
No coração histórico de Marechal Deodoro, em Alagoas, a artesã Maria de Lourdes completa sete décadas dedicadas integralmente à produção da renda labirinto. O trabalho, que exige paciência e precisão matemática, é executado diariamente pela veterana, que iniciou o aprendizado ainda na infância, aos 8 anos de idade. Hoje, ela é uma das poucas guardiãs dessa técnica complexa que corre o risco de desaparecer com o avanço da produção industrial.
A complexidade do ofício manual
O processo de criação da renda labirinto é um dos mais minuciosos do artesanato brasileiro. Diferente de outros estilos, o labirinto exige que a artesã primeiro desfie o tecido de algodão para, somente depois, preencher os espaços vazios com novos bordados, criando desenhos geométricos e florais. Segundo a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo, esse tipo de artesanato é considerado um patrimônio imaterial da região, demandando meses de dedicação para a conclusão de uma única peça de grande porte.
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O impacto econômico e social na região
Para a comunidade de Marechal Deodoro, a renda não é apenas um adorno, mas uma base econômica histórica. A artesã relata que, através da venda de toalhas, caminhos de mesa e peças de vestuário, foi possível sustentar sua família e educar seus filhos ao longo de 70 anos de carreira. O comércio desses itens atrai turistas de todo o Brasil e do exterior, que buscam a autenticidade do trabalho feito à mão, longe da uniformidade das fábricas têxteis.
Desafios da sucessão familiar
Um dos grandes obstáculos enfrentados pela mestra é o desinteresse das gerações mais novas em aprender o manejo das agulhas. A artesã destaca que a juventude atual, muitas vezes seduzida pela rapidez do mundo digital, tem dificuldade em se adaptar ao tempo lento exigido pela renda labirinto. Para combater esse cenário, ela promove oficinas em sua própria residência, tentando transmitir o conhecimento para vizinhos e parentes, garantindo que o saber ancestral não morra com o passar do tempo.
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Contexto
A renda labirinto chegou ao Brasil trazida pelos colonizadores portugueses e encontrou no litoral de Alagoas e da Paraíba um terreno fértil para se desenvolver. Em cidades como Marechal Deodoro, o artesanato tornou-se uma marca registrada da identidade local, sendo frequentemente exibido em feiras nacionais e exposições de design de interiores. O governo estadual estima que centenas de famílias ainda dependam diretamente da economia criativa gerada pelo setor artesanal.
O que esperar
O futuro da tradição depende de novos incentivos públicos e da valorização do preço final do produto, que muitas vezes não reflete as centenas de horas de trabalho investidas. Espera-se que novos projetos de capacitação e fomento sejam implementados na região para que o legado de artesãs como Maria de Lourdes continue a estampar a cultura alagoana por muitas décadas.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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