Michael Jackson: sacada histórica no Pelourinho é interditada por riscos
Defesa Civil de Salvador aponta danos estruturais graves e umidade em prédio famoso por clipe de Michael Jackson. Disputa judicial também ameaça o ponto turístico.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 12:243 min de leitura

Interdição por danos na estrutura e disputa na Justiça impedem acesso de turistas ao local onde o astro gravou clipe em 1996.
A famosa sacada do Pelourinho, em Salvador, onde o cantor Michael Jackson apareceu durante as gravações do clipe They Don't Care About Us, está oficialmente fechada para visitação. A decisão ocorreu após uma vistoria técnica identificar problemas que comprometem a segurança do imóvel histórico. O ponto turístico, um dos mais visitados do Centro Histórico, agora aguarda reformas urgentes enquanto enfrenta um imbróglio jurídico.
Riscos estruturais e avarias
De acordo com a Defesa Civil de Salvador (Codesal), o edifício apresenta sinais claros de degradação que impedem a circulação de pessoas. Durante a inspeção, os técnicos localizaram fissuras nas paredes, infiltrações severas e problemas na fiação elétrica. A umidade excessiva nas vigas de sustentação é um dos pontos mais críticos, pois coloca em risco a estabilidade da fachada onde os fãs costumavam posar para fotos reproduzindo o gesto do Rei do Pop.
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A interdição não atinge apenas a sacada, mas áreas internas que serviam como suporte para o fluxo de turistas. A Prefeitura de Salvador reforçou que a medida é preventiva e visa evitar desabamentos ou acidentes graves, comuns em casarões antigos da região que não recebem a manutenção adequada. O imóvel permanece com lacres oficiais e a entrada de qualquer visitante está estritamente proibida até que os reparos sejam realizados e aprovados pelos engenheiros.
Disputa judicial bloqueia reformas
Além dos problemas físicos, o casarão é o centro de uma batalha judicial que dificulta a execução de obras de restauro. O conflito envolve herdeiros e ocupantes do espaço, gerando incertezas sobre quem deve arcar com os custos da revitalização. Enquanto o processo tramita no Tribunal de Justiça, o prédio sofre com a ação do tempo, e o comércio local já sente os impactos da queda na circulação de estrangeiros que buscavam o destaque turístico.
Representantes do setor comercial do Pelourinho demonstram preocupação com o fechamento prolongado. Eles alegam que o local é um símbolo da cultura mundial e sua preservação é vital para a economia da Bahia. Sem um acordo entre as partes envolvidas na justiça, a tendência é que o imóvel continue se deteriorando, o que pode levar a uma interdição total da calçada em frente ao número que marcou a história da música pop.
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Contexto
A passagem de Michael Jackson por Salvador em fevereiro de 1996 transformou o Pelourinho em um cenário global. Com a direção de Spike Lee, o vídeo clipe trouxe visibilidade internacional para o grupo de percussão Olodum e para as cores do Centro Histórico. Desde então, a sacada do prédio azul tornou-se um santuário para admiradores do artista, sendo considerada uma parada obrigatória para quem visita a capital baiana.
O local é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o que exige que qualquer intervenção siga normas rígidas de preservação. A falta de conservação em imóveis desse porte tem sido um desafio recorrente para os órgãos de fiscalização em Salvador, que buscam equilibrar o direito de propriedade com a manutenção do patrimônio cultural da humanidade.
Próximos passos
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O futuro da sacada depende agora de uma perícia detalhada solicitada pela justiça e da apresentação de um plano de recuperação estrutural. A Codesal deve realizar novas visitas técnicas nos próximos meses, mas a reabertura só será autorizada após a eliminação de todos os riscos de desabamento. Até que a situação jurídica seja resolvida, o ponto turístico mais icônico do clipe de Michael Jackson no Brasil permanecerá com as portas fechadas.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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