Moradores de Cariacica financiam obra própria contra risco de desabamento

Cansados de esperar pelo poder público, moradores da Rua Bandeirantes, em Tabajara, iniciam intervenção em encosta para evitar queda de residências.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 04:013 min de leitura

Moradores de Cariacica financiam obra própria contra risco de desabamento
Resumo em 10 segundos

Diante da omissão pública e do avanço de uma erosão, residentes do bairro Tabajara se unem para custear reparos emergenciais em encosta.

Uma mobilização comunitária na Rua Bandeirantes, no bairro Tabajara, em Cariacica, chama a atenção pela urgência e pelo risco iminente. Moradores da região decidiram, nesta semana, iniciar por conta própria uma obra de contenção em um barranco que ameaça ceder. Sem intervenção oficial e convivendo com a falta de infraestrutura básica, o grupo já investiu cerca de R$ 1.800,00 em materiais de construção e utiliza a própria mão de obra para tentar salvar as residências antes que o período de chuvas intensifique o processo erosivo.

O risco iminente e a falta de saneamento

A situação na localidade é crítica devido à ausência de uma rede de esgoto formal. Segundo os relatos da vizinhança, a água servida das casas escorre diretamente pelo terreno, o que fragilizou o solo ao longo dos anos. A erosão no barranco já atingiu um ponto onde a base da via pública começou a ser comprometida, criando o medo real de um desabamento que possa atingir as casas situadas na parte baixa. Para conter o avanço, os moradores estão instalando tubulações improvisadas e construindo pequenos muros de arrimo com os recursos arrecadados na vaquinha comunitária.

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Esforço coletivo para evitar tragédia

O trabalho é braçal e envolve homens e mulheres da comunidade que dedicam seu tempo livre para atuar na obra. O valor de R$ 1.800,00 foi utilizado para a compra de cimento, areia, pedra e canos. O objetivo principal é desviar o fluxo de água que hoje mina a encosta, estabilizando o terreno de forma paliativa. De acordo com os residentes, a decisão de agir por conta própria foi tomada "antes que o pior aconteça", uma vez que rachaduras já são visíveis em trechos da Rua Bandeirantes e o solo apresenta sinais claros de instabilidade geológica.

O que dizem as autoridades

Procurada para comentar a situação no bairro Tabajara, a Prefeitura de Cariacica informou que equipes técnicas devem ser enviadas ao local para avaliar a extensão dos danos e a viabilidade de uma intervenção definitiva. A Defesa Civil do município ressalta que intervenções feitas por moradores sem acompanhamento de engenheiros podem oferecer riscos, mas a comunidade alega que a demora no atendimento forçou a medida extrema. O órgão orienta que, em casos de movimentação de terra, os moradores devem acionar imediatamente o número 199.

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Contexto

O problema da falta de saneamento e contenção de encostas em Cariacica é um desafio histórico. O município, localizado na Grande Vitória, possui diversas áreas de relevo acidentado onde a ocupação urbana ocorreu sem o devido planejamento de drenagem. Dados recentes apontam que a carência de redes de esgoto é um dos principais fatores que contribuem para a degradação do solo em bairros periféricos, aumentando a vulnerabilidade de centenas de famílias durante o verão capixaba, época marcada por fortes temporais.

Historicamente, a Rua Bandeirantes aguarda por projetos de pavimentação e saneamento básico que nunca saíram do papel. A iniciativa atual dos moradores reflete um fenômeno crescente em áreas de risco no Espírito Santo, onde a autogestão se torna a única saída imediata para evitar a perda de patrimônio e vidas diante da lentidão dos cronogramas de obras públicas.

Próximos passos

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A expectativa da comunidade é concluir a primeira etapa da contenção nos próximos dez dias. Eles planejam realizar uma nova rodada de arrecadação para comprar mais insumos. Enquanto isso, aguardam uma resposta formal da Secretaria de Obras sobre a instalação de uma rede de drenagem oficial, que seria a única solução capaz de interromper definitivamente a erosão que assombra as famílias de Tabajara.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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