Mortandade de peixes no Lago do Cuniã mobiliza ICMBio em Rondônia

Centenas de peixes da espécie branquinha surgiram mortos na Reserva Extrativista Lago do Cuniã. Especialistas da Unir investigam a qualidade da água na região.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 12:143 min de leitura

Mortandade de peixes no Lago do Cuniã mobiliza ICMBio em Rondônia
Resumo em 10 segundos

Investigação técnica busca identificar as causas da perda massiva de fauna aquática em unidade de conservação federal em Porto Velho.

Um fenômeno ambiental de grandes proporções atingiu a Reserva Extrativista Lago do Cuniã, localizada em Porto Velho, nesta semana. Moradores e pescadores locais registraram em vídeo a presença de centenas de peixes mortos flutuando nas águas da região, o que gerou um alerta imediato para os órgãos de controle. O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) confirmou que já iniciou os procedimentos de fiscalização e monitoramento para apurar a origem do desastre.

Investigação e coleta de amostras

A maior parte dos animais encontrados sem vida pertence à espécie conhecida popularmente como branquinha, um peixe de grande importância para a cadeia alimentar amazônica e para a subsistência das comunidades ribeirinhas. Para entender a dinâmica do evento, pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) foram acionados para realizar uma análise detalhada das condições físico-químicas da água. O objetivo é verificar se houve uma queda brusca nos níveis de oxigênio ou se há presença de contaminantes externos.

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Especialistas apontam que a coleta de amostras em diferentes pontos do Lago do Cuniã é fundamental para descartar ou confirmar hipóteses relacionadas ao período de seca ou possíveis alterações no ecossistema local. Segundo o ICMBio, a equipe técnica está em campo coletando dados que servirão de base para um relatório oficial. O impacto visual da mortandade impressiona, com uma mancha prateada de peixes cobrindo extensas áreas da superfície hídrica, afetando diretamente o cotidiano dos extrativistas da reserva.

Hipóteses e impacto ambiental

Embora as causas definitivas ainda dependam de laudos laboratoriais, biólogos avaliam que fatores climáticos extremos, comuns nesta época do ano na Amazônia, podem contribuir para o fenômeno. A redução do volume de água e o aumento da temperatura podem levar ao processo de eutrofização, onde a decomposição de matéria orgânica consome o oxigênio disponível, sufocando as espécies. Contudo, a escala do evento no Cuniã exige uma verificação rigorosa para afastar a possibilidade de crimes ambientais ou poluição por resíduos.

A Reserva Extrativista, criada para proteger os meios de vida e a cultura das populações tradicionais, agora enfrenta o desafio de mensurar o prejuízo para a biodiversidade. A morte massiva da branquinha pode gerar um efeito cascata, afetando predadores maiores e reduzindo a oferta de pescado para o consumo humano. Representantes das comunidades locais aguardam com urgência o posicionamento das autoridades sobre a segurança da água e o consumo de peixes na área atingida.

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Contexto

O Lago do Cuniã é uma das áreas de preservação mais importantes de Rondônia, sendo reconhecido pela sua rica biodiversidade e pelo manejo sustentável do jacaré. Incidentes dessa natureza em unidades de conservação são tratados com alta prioridade, pois podem indicar desequilíbrios sistêmicos que ameaçam não apenas a fauna, mas todo o equilíbrio do bioma amazônico em solo rondoniense.

Historicamente, a região de Porto Velho sofre com as variações severas do nível dos rios durante o ciclo das águas. No entanto, a concentração de mortes em uma única espécie e em um curto intervalo de tempo acende o sinal amarelo para a saúde ambiental da bacia do Rio Madeira, que alimenta o sistema de lagos da reserva.

O que esperar

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Os resultados das análises laboratoriais conduzidas pela Unir devem ser divulgados nos próximos dias, trazendo luz sobre as variáveis químicas do lago. Até que o diagnóstico seja concluído, o ICMBio recomenda cautela aos moradores da região. A fiscalização permanecerá intensificada no entorno da reserva para garantir que não haja novas ocorrências e para monitorar a recuperação natural do ecossistema afetado.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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