Morte de criança em condomínio: Casal dispensou babá no dia do crime
Investigação aponta que advogado e companheira alteraram rotina doméstica antes da morte de Gustavo, de 3 anos, levantando suspeitas sobre a versão de afogamento.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 09 de agosto de 2026 às 06:003 min de leitura

Polícia Civil investiga indícios de que o cenário da morte da criança foi manipulado antes da notificação oficial às autoridades.
Uma reviravolta nas investigações sobre a morte do pequeno Gustavo, de apenas 3 anos, aponta que o advogado e sua companheira tomaram medidas atípicas horas antes do óbito ser reportado. Segundo informações da Polícia Civil, a babá que cuidava do menino foi dispensada de suas funções no domingo (2), justamente o dia em que os peritos acreditam que a criança faleceu. O corpo, no entanto, só foi levado ao conhecimento das autoridades na tarde do dia seguinte, gerando suspeitas sobre a cronologia dos fatos.
A quebra na rotina e a demora no aviso
De acordo com o delegado responsável pelo caso, a dispensa da funcionária é um elemento crucial para entender a dinâmica do ocorrido dentro da residência. A investigação sugere que a ausência de testemunhas externas facilitou a gestão do tempo pelo casal. O Pai da criança e a madrasta teriam permanecido com o corpo no imóvel por cerca de 20 horas antes de buscar a delegacia por volta das 16h30 da segunda-feira. Esse intervalo é visto pelos investigadores como uma janela utilizada para alinhar depoimentos e remover possíveis provas.
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Contradições na tese de afogamento
Embora a defesa e os responsáveis sustentem que a morte foi decorrente de um afogamento acidental, os laudos preliminares e o comportamento dos envolvidos colocam essa versão em xeque. A perícia técnica trabalha com a hipótese de que o óbito ocorreu ainda no domingo, o que torna a demora em buscar socorro médico ou policial um fator determinante para a acusação. Para as autoridades, se fosse um acidente doméstico comum, a reação imediata seria o acionamento do SAMU ou do Corpo de Bombeiros, o que não ocorreu no condomínio.
O que dizem as autoridades
Em depoimento, os agentes que atenderam a ocorrência relataram que o comportamento do advogado apresentava uma calma atípica para a gravidade da situação. A Polícia Militar foi acionada apenas após o homem comparecer pessoalmente à unidade policial, sem apresentar sinais de desespero. O Ministério Público já acompanha o caso e solicitou a quebra do sigilo de dados dos aparelhos celulares do casal para verificar as comunicações realizadas entre a noite de domingo e a tarde de segunda-feira.
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Contexto
Casos envolvendo mortes de crianças em ambientes domésticos sob custódia de responsáveis legais têm exigido protocolos rigorosos de medicina legal no Brasil. A análise de manchas de sangue e a temperatura do corpo no momento da chegada do IML são fundamentais para determinar a hora exata da morte. Em situações similares recentes, a Justiça tem considerado a omissão de socorro e a fraude processual como agravantes severos em crimes contra a vida de menores.
Próximos passos
A Polícia Civil aguarda agora o resultado detalhado da necropsia e a reconstituição simulada dos fatos no apartamento. O advogado e a companheira podem responder por homicídio qualificado e ocultação de provas, caso a tese de afogamento seja descartada pelos exames laboratoriais. Novas testemunhas, incluindo vizinhos do edifício, devem ser ouvidas nos próximos dias para esclarecer se houve barulhos ou movimentações estranhas no final de semana.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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