Morte de mulher queimada em terreiro: Inquérito é enviado ao MP
Vídeo revela momentos após Caroline dos Santos sofrer queimaduras em ritual no Rio de Janeiro. Mãe de santo e namorado foram indiciados por homicídio doloso.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 06:433 min de leitura

Imagens de segurança mostram vítima caminhando em direção a socorro após sofrer ferimentos em 65% do corpo durante ritual religioso na Zona Oeste.
A investigação sobre a trágica morte de Caroline Pinto dos Santos avançou com o envio do inquérito policial ao Ministério Público do Rio de Janeiro. O caso, que chocou a capital fluminense, ganhou novos contornos após a divulgação de imagens de câmeras de segurança que registram um forte clarão vindo do terreiro e, minutos depois, a vítima caminhando com graves ferimentos em direção a um veículo para buscar atendimento médico. O episódio ocorreu em Realengo, na Zona Oeste da cidade.
O indiciamento e as investigações
A 33ª DP (Realengo) concluiu as investigações e decidiu pelo indiciamento da mãe de santo Thayane Alves de Maria e de seu namorado, Gabriel da Mota Pimentel Dalia. Ambos respondem por homicídio doloso, quando há a intenção de matar ou assume-se o risco de produzir o resultado. Segundo os relatos colhidos pela Polícia Civil, Caroline participava de um ritual que envolvia o uso de substâncias inflamáveis, o que teria provocado a explosão e as queimaduras fatais.
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As cenas capturadas pelo circuito de monitoramento são consideradas peças-chave para a acusação. No vídeo, é possível observar o exato momento em que uma luz intensa ilumina a área externa do imóvel, indicando o início do incêndio. Pouco tempo depois, Caroline dos Santos aparece nas imagens visivelmente ferida, sendo amparada enquanto se desloca para o carro que a levaria ao Hospital Municipal Albert Schweitzer. A vítima permaneceu internada, mas não resistiu às complicações decorrentes das lesões.
Detalhes do atendimento e perícia
De acordo com o laudo médico, a jovem teve cerca de 65% do corpo atingido por queimaduras de segundo e terceiro graus. Os peritos criminais que analisaram o local do incidente apontaram que a manipulação inadequada de líquidos combustíveis em um ambiente fechado e sem as devidas normas de segurança contribuiu diretamente para a tragédia. A defesa dos acusados, por sua vez, tenta desqualificar o dolo, alegando que o ocorrido foi uma fatalidade durante a prática religiosa.
Testemunhas ouvidas pelos investigadores da Polícia Civil relataram que o ambiente estava carregado de material inflamável e que não houve um plano de contingência imediato quando o fogo saiu do controle. O delegado responsável pelo caso destacou que a responsabilidade dos líderes do ritual é garantir a integridade física dos participantes, o que, segundo a conclusão da 33ª DP, foi negligenciado de forma consciente pelos indiciados.
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Contexto
Casos envolvendo acidentes em templos religiosos têm gerado debates sobre a regulamentação do uso de elementos perigosos em cerimônias. No estado do Rio de Janeiro, o Corpo de Bombeiros exige que qualquer estabelecimento de reunião de público possua alvarás e equipamentos de combate a incêndio, normas que muitas vezes são ignoradas em espaços domésticos adaptados para cultos. Em 2023, outros incidentes similares foram registrados na região metropolitana, reforçando a necessidade de fiscalização.
A morte de Caroline Pinto dos Santos gerou uma onda de protestos de familiares e amigos, que pedem justiça e maior rigor na punição para crimes ocorridos dentro de instituições espirituais. A comunidade de Realengo acompanha de perto o desenrolar jurídico, uma vez que os envolvidos eram figuras conhecidas no bairro e o caso levanta questões sobre a segurança em práticas litúrgicas que utilizam fogo ou produtos químicos.
Próximos passos
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Com o inquérito em mãos, o Ministério Público decidirá se oferece a denúncia formal à Justiça ou se solicita novas diligências. Caso a denúncia seja aceita, Thayane Alves e Gabriel Dalia se tornarão réus e poderão ser levados a Júri Popular. A expectativa é que o órgão se manifeste nos próximos dias, definindo se os acusados aguardarão o julgamento em liberdade ou se será solicitada a prisão preventiva dos envolvidos.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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