Morte em Mombuca: Viúva contesta versão da PM sobre disparos em evento

Caso em Mombuca gera revolta após homem de 38 anos ser morto a tiros pela Polícia Militar durante encontro de cavaleiros. Família nega legítima defesa.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 20 de julho de 2026 às 13:343 min de leitura

Morte em Mombuca: Viúva contesta versão da PM sobre disparos em evento
Resumo em 10 segundos

Família de homem morto em praça pública no interior paulista acusa policiais de execução e nega que vítima estivesse armada.

Um encontro de cavaleiros tradicional em Mombuca, no interior de São Paulo, terminou em tragédia e controvérsia jurídica. O autônomo Eliabe Bezerril Silva, de 38 anos, foi morto a tiros por agentes da Polícia Militar em frente à Igreja Matriz da cidade. O incidente, ocorrido durante as festividades locais, transformou o clima de celebração em um cenário de isolamento pericial e revolta por parte dos familiares da vítima, que presenciaram a ação.

Versões conflitantes sobre a abordagem

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, os agentes foram acionados para conter uma briga generalizada que ocorria no centro da cidade. Os policiais alegam que, ao tentarem realizar a abordagem, Eliabe Bezerril Silva teria reagido de forma agressiva e avançado contra a guarnição portando uma faca. Os oficiais afirmam que o uso da força letal foi uma medida de legítima defesa para conter a ameaça iminente no local.

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No entanto, a viúva da vítima, que estava presente no momento dos disparos, contesta veementemente a narrativa oficial. Em depoimento emocionado, ela afirmou que os policiais encheram o marido de tiros sem que houvesse uma tentativa real de imobilização não letal. Segundo a família, o homem não representava o perigo descrito pelos agentes e a quantidade de disparos efetuados sugere um uso desproporcional da força por parte do Estado.

Investigação e procedimentos periciais

A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias exatas da morte. Peritos criminais estiveram na praça em frente à Igreja Matriz para coletar evidências e mapear a trajetória dos projéteis. As armas dos policiais envolvidos foram apreendidas para exames de balística, um procedimento padrão em casos de morte decorrente de intervenção policial. A investigação busca agora imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas que participavam do encontro de cavaleiros.

O comando da Polícia Militar informou que um Inquérito Policial Militar (IPM) também foi aberto para avaliar se os protocolos operacionais foram seguidos. A corporação mantém, preliminarmente, a defesa da conduta dos agentes, mas ressalta que todas as evidências serão analisadas. O corpo de Eliabe foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização do exame necroscópico, que deve indicar quantos disparos atingiram a vítima e a distância dos tiros.

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Contexto

A cidade de Mombuca, com pouco mais de 3.500 habitantes, raramente registra episódios de violência com esse nível de letalidade. O encontro de cavaleiros é um dos eventos mais tradicionais da região e atrai visitantes de diversos municípios vizinhos. A morte de um cidadão em plena praça pública, diante de famílias e crianças, gerou um debate acalorado sobre a preparação da segurança pública em eventos de grande porte no interior do estado.

Dados recentes apontam que a letalidade policial em São Paulo tem sido alvo de monitoramento constante por órgãos de direitos humanos. Casos como o de Mombuca reforçam a pressão para o uso de câmeras corporais nos uniformes dos agentes, tecnologia que poderia esclarecer de forma definitiva se houve a alegada investida com faca ou se a ação configurou um excesso punível pela lei.

Próximos passos

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Nos próximos dias, a Justiça deve decidir sobre o afastamento temporário dos policiais envolvidos enquanto as investigações prosseguem. A família da vítima informou que pretende buscar assistência jurídica para processar o Estado por danos morais e materiais. O laudo da perícia de local e o relatório do IML serão fundamentais para determinar se o caso será tratado como legítima defesa ou como homicídio.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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