MP Eleitoral pede impugnação de candidatura de neto de Luizinho Drumond

Ministério Público Eleitoral contesta registro de João Drumond, neto de bicheiro histórico, para o cargo de deputado estadual nas eleições deste ano.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 09 de agosto de 2026 às 17:163 min de leitura

MP Eleitoral pede impugnação de candidatura de neto de Luizinho Drumond
Resumo em 10 segundos

Órgão fiscalizador questiona regularidade de registro de João Drumond para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O Ministério Público Eleitoral protocolou um pedido formal de impugnação da candidatura de João Drumond ao cargo de deputado estadual no Rio de Janeiro. O requerimento, apresentado nesta semana, coloca em xeque a participação do herdeiro de um dos nomes mais influentes da contravenção carioca no pleito de 2024. João é neto de Luizinho Drumond, histórico ex-presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense e figura central do jogo do bicho no estado por décadas.

Os fundamentos da contestação

De acordo com os documentos apresentados pela Procuradoria Regional Eleitoral, a contestação do registro baseia-se em critérios técnicos de elegibilidade previstos na legislação brasileira. O foco da ação é garantir que todos os postulantes a cargos públicos atendam rigorosamente aos requisitos de idoneidade e documentação exigidos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). A movimentação jurídica ocorre em um momento estratégico, onde a justiça eleitoral intensifica a fiscalização sobre candidaturas com vínculos a grupos que historicamente desafiam a ordem pública.

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O peso do sobrenome na política carioca

João Drumond tenta consolidar seu nome na política fluminense carregando o espólio político e social de seu avô, Luizinho Drumond, que faleceu em 2020. Luizinho foi uma das faces mais conhecidas da cúpula do jogo do bicho e comandou a Imperatriz Leopoldinense em seus anos de maior glória no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. A tentativa do neto de ingressar na Assembleia Legislativa (Alerj) é vista por analistas como um movimento de renovação de clãs tradicionais que buscam legitimidade através do voto popular, apesar do histórico familiar de enfrentamento com as autoridades policiais.

A defesa do candidato e os próximos passos

A equipe jurídica de João Drumond terá um prazo legal de sete dias para apresentar a defesa prévia e contestar os argumentos do Ministério Público. Em notas preliminares, interlocutores do candidato afirmam que todos os requisitos constitucionais foram preenchidos e que a candidatura segue firme no cronograma de campanha para outubro. O caso será relatado por um desembargador do TRE-RJ, que decidirá se mantém o indeferimento ou se permite que o nome do herdeiro figure nas urnas eletrônicas.

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Contexto

O cenário político do Rio de Janeiro é frequentemente marcado pela intersecção entre o poder público e figuras ligadas ao entretenimento e à contravenção. A linhagem dos Drumond mantém forte influência na Zona Leopoldina, reduto histórico da família e da escola de samba que presidem. O Ministério Público tem adotado uma postura de tolerância zero com candidaturas que possam representar a manutenção de estruturas de poder paralelo dentro do legislativo estadual.

Historicamente, o jogo do bicho no Rio de Janeiro financiou não apenas o carnaval, mas também diversas campanhas políticas desde a década de 1980. A ofensiva judicial atual reflete uma tentativa das instituições de desvincular a imagem do estado das práticas ilícitas que, por muito tempo, foram toleradas sob a fachada da filantropia cultural e do samba.

O que esperar

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O julgamento definitivo do registro de candidatura deve ocorrer até o final do mês, seguindo o calendário estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Caso a impugnação seja acatada em primeira instância, João Drumond ainda poderá recorrer ao TSE, em Brasília, para tentar garantir seu direito de disputar as eleições. Até a decisão final, o candidato está autorizado a realizar atos de campanha e utilizar o horário eleitoral gratuito, embora sua situação jurídica permaneça sob o status de sub judice.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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