MPF aciona Justiça para renomear quartel do Exército em João Pessoa

Ministério Público Federal busca retirar homenagem a general da ditadura militar em unidade militar na Paraíba e defende direito à memória e à verdade histórica.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 07 de agosto de 2026 às 14:153 min de leitura

MPF aciona Justiça para renomear quartel do Exército em João Pessoa
Resumo em 10 segundos

Ação civil pública busca adequar nomenclatura de unidade militar às diretrizes de direitos humanos e memória histórica.

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação na Justiça Federal para obrigar o Exército Brasileiro a alterar o nome do 1º Grupamento de Engenharia, sediado em João Pessoa. A unidade militar carrega atualmente o nome de um general que atuou durante o período da ditadura militar, o que, segundo o órgão ministerial, fere os princípios constitucionais e as recomendações internacionais sobre a preservação da memória e da verdade.

O embate jurídico pela nomenclatura

A iniciativa do MPF ocorre após o descumprimento de uma recomendação administrativa expedida ainda no ano passado. Na ocasião, os procuradores sugeriram que o Exército adotasse um nome que não fizesse alusão a figuras ligadas à repressão política. Diante da negativa da instituição em realizar a mudança voluntariamente, o caso foi judicializado para garantir que o Estado Brasileiro não promova homenagens a agentes que atuaram em governos de exceção.

Publicidade BS1

Anuncie no BS1 e alcance milhares de leitores

WhatsApp

De acordo com a argumentação do Ministério Público, a manutenção de nomes de militares do regime de 1964 em prédios públicos confronta a Constituição Federal de 1988. O órgão defende que a administração pública deve pautar suas homenagens em figuras que contribuíram para a democracia e o desenvolvimento social, e não em personagens que estiveram no centro de períodos de suspensão de direitos fundamentais na Paraíba ou no Brasil.

Expansão para a malha urbana da capital

Além da intervenção na esfera federal, o MPF também solicitou a transferência de processos que tramitam na esfera estadual para a justiça federal. O objetivo é unificar as ações que pedem a troca de nomes de ruas, praças e bairros da capital paraibana que também homenageiam figuras da ditadura. A estratégia busca uma solução sistêmica para a aplicação da chamada Justiça de Transição, que visa reparar danos simbólicos causados por regimes autoritários.

O órgão destaca que a permanência desses nomes em logradouros públicos de João Pessoa impede o processo de ressignificação histórica e causa sofrimento a vítimas e familiares de perseguidos políticos. A petição reforça que a Corte Interamericana de Direitos Humanos já condenou o país em situações semelhantes, exigindo que o Brasil tome medidas concretas para não exaltar violadores de direitos humanos em espaços de uso comum da população.

Publicidade BS1

Anuncie no BS1 e alcance milhares de leitores

WhatsApp

Contexto

A discussão sobre a troca de nomes de locais públicos ganhou força no Brasil após o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, publicado em 2014. O documento recomenda expressamente que prédios e vias públicas deixem de ostentar nomes de pessoas envolvidas em crimes de tortura e desaparecimento forçado durante os anos de chumbo. No estado da Paraíba, diversos coletivos de direitos humanos pressionam as autoridades para que a legislação municipal e estadual seja cumprida nesse sentido.

Historicamente, o 1º Grupamento de Engenharia é uma das unidades mais tradicionais do Nordeste, sendo responsável por obras de infraestrutura estratégica. Contudo, a vinculação de sua identidade visual e histórica a generais daquele período tem sido alvo de críticas recorrentes por parte de historiadores e juristas, que veem na prática uma tentativa de manter viva uma herança autoritária nas Forças Armadas.

Próximos passos

Publicidade BS1

Anuncie no BS1 e alcance milhares de leitores

WhatsApp

A partir de agora, o Exército Brasileiro será notificado para apresentar sua defesa no processo. Caso a Justiça Federal acate o pedido do MPF, a instituição terá um prazo determinado para escolher uma nova denominação para o quartel e remover todas as placas e símbolos que façam referência ao antigo patrono. A decisão poderá abrir um importante precedente para outras unidades militares em todo o território nacional que ainda mantêm nomes controversos.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

Publicidade BS1

Anuncie no BS1 e alcance milhares de leitores

WhatsApp

Fique por dentro do nosso canal no WhatsApp Bs1.online

Compartilhar:

Comentários (0)

Entre para deixar um comentário.

Carregando...