MPMG denuncia grupo por estelionato de R$ 1 milhão em rituais espirituais
Três pessoas são acusadas de aplicar golpes financeiros em Minas Gerais utilizando falsas promessas de lucro e manipulação religiosa contra vítimas vulneráveis.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 11:533 min de leitura

Esquema criminoso no Leste de Minas Gerais utilizava a fé e promessas de enriquecimento rápido para lesar vítimas em valores milionários.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou uma denúncia formal contra três indivíduos acusados de liderar um sofisticado esquema de estelionato que acumulou um prejuízo de R$ 1 milhão. A organização criminosa operava em diversas cidades do Leste de Minas, focando em pessoas que atravessavam momentos de fragilidade emocional. O grupo prometia retornos financeiros exorbitantes através de investimentos que, na realidade, nunca existiram, utilizando rituais de natureza espiritual para validar as transações e garantir o silêncio dos envolvidos.
A mecânica da fraude financeira
De acordo com as investigações conduzidas pelos promotores de Justiça, os denunciados criavam uma fachada de credibilidade ao misturar jargões do mercado financeiro com elementos de crenças religiosas. O grupo abordava as vítimas oferecendo oportunidades de investimento de alto risco, mas com garantias de lucro garantido por supostas intervenções divinas. Em um dos casos relatados, uma única vítima chegou a transferir quantias que somam mais de R$ 300 mil, acreditando que o dinheiro estava sendo aplicado em fundos internacionais protegidos por entidades espirituais.
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Os criminosos realizavam encontros presenciais onde promoviam rituais esotéricos para, supostamente, limpar as energias do dinheiro e atrair mais prosperidade. Durante essas sessões, os acusados exploravam a vulnerabilidade psicológica dos participantes, convencendo-os de que qualquer dúvida sobre o negócio poderia atrair má sorte ou retaliações espirituais. Essa tática de manipulação impedia que as vítimas procurassem a polícia ou órgãos de controle financeiro logo nos primeiros sinais de irregularidade.
O papel dos envolvidos e a movimentação bancária
O Ministério Público detalhou que o trio possuía funções bem definidas na estrutura do golpe. Enquanto um dos membros atuava como o mentor espiritual e porta-voz das entidades, os outros dois cuidavam da parte operacional, incluindo a gestão de contas bancárias de laranjas e a lavagem do capital obtido de forma ilícita. A quebra do sigilo bancário revelou que os valores eram rapidamente pulverizados em pequenas transações para dificultar o rastreio pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
As autoridades constataram que o grupo não possuía qualquer registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou autorização do Banco Central para atuar no mercado de capitais. A ausência desses registros é um dos pilares da acusação de exercício irregular de atividade financeira, somada aos crimes de estelionato qualificado e associação criminosa. O MPMG solicita agora o bloqueio de bens dos envolvidos para garantir a futura reparação dos danos materiais causados às famílias lesadas.
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Contexto
O estado de Minas Gerais tem registrado um aumento significativo em crimes que utilizam o chamado estelionato sentimental ou religioso. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) indicam que golpistas têm se especializado em nichos específicos, aproveitando-se da falta de educação financeira aliada ao fervor religioso para aplicar golpes de engenharia social. Em 2023, o número de ocorrências de fraudes eletrônicas e presenciais no interior do estado cresceu 15% em comparação ao ano anterior.
Casos envolvendo falsos profetas ou líderes espirituais que solicitam transferências via Pix ou depósitos em dinheiro vivo tornaram-se um desafio para o sistema judiciário. A dificuldade reside no fato de que muitas vítimas sentem vergonha de denunciar, temendo o julgamento social ou as ameaças de cunho religioso proferidas pelos estelionatários durante a execução do crime.
Próximos passos
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Com a aceitação da denúncia pela Justiça de Minas Gerais, os réus terão um prazo legal para apresentar a defesa prévia. O processo seguirá para a fase de instrução, onde as vítimas serão ouvidas em audiências protegidas. Caso sejam condenados, as penas somadas podem ultrapassar 10 anos de reclusão. A Polícia Civil continua investigando a possível participação de outros colaboradores que podem ter auxiliado na captação de clientes em cidades vizinhas como Governador Valadares e Ipatinga.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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