MPPB aciona Justiça para garantir cotas raciais no concurso de Campina Grande
Ação civil pública exige reserva de 10% das vagas para candidatos negros em novo certame municipal. Saiba os detalhes da decisão e os próximos passos do caso.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 14:533 min de leitura

Ministério Público move ação civil pública para assegurar reserva de vagas para candidatos negros em novo certame da administração municipal.
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) ingressou com uma ação na Justiça com o objetivo de obrigar a Prefeitura de Campina Grande a implementar o sistema de cotas raciais em seu próximo concurso público. A medida busca garantir que ao menos 10% das vagas oferecidas no processo seletivo sejam destinadas exclusivamente a candidatos negros, seguindo parâmetros de equidade previstos na legislação brasileira. O pedido ocorre em um momento em que o município planeja reforçar seu quadro de servidores em diversas áreas estratégicas.
A fundamentação técnica da ação
De acordo com a Promotoria de Justiça, a ausência de previsão de cotas no edital fere princípios constitucionais e diretrizes estabelecidas pelo Estatuto da Igualdade Racial. O órgão fiscalizador argumenta que a administração pública tem o dever de promover a inclusão social e combater disparidades históricas no acesso ao mercado de trabalho. A ação solicita que a Justiça da Paraíba determine a retificação imediata do certame, sob pena de multa diária em caso de descumprimento por parte do Poder Executivo Municipal.
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Impacto no cronograma do certame
A iniciativa do MPPB pode gerar alterações significativas no cronograma de inscrições e na aplicação das provas em Campina Grande. Caso a liminar seja concedida, a Secretaria de Administração terá que reorganizar a distribuição das vagas e atualizar o edital de abertura. Especialistas jurídicos apontam que a inclusão de cotas raciais é uma tendência consolidada em concursos federais e estaduais, mas que ainda enfrenta resistências em algumas esferas municipais que não possuem legislação própria específica sobre o tema.
A posição do Ministério Público
Para os promotores envolvidos no caso, a reserva de 10% das oportunidades é um percentual mínimo necessário para refletir a composição demográfica da região e assegurar a representatividade dentro da Prefeitura de Campina Grande. O órgão destaca que a meritocracia deve ser aliada a políticas afirmativas para que o serviço público seja, de fato, democrático. A ação também reforça a necessidade de bancas de heteroidentificação para validar as autodeclarações dos candidatos, evitando possíveis fraudes no sistema de reserva de vagas.
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Contexto
O debate sobre cotas em concursos municipais na Paraíba tem ganhado força nos últimos anos, após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que ratificaram a constitucionalidade dessas medidas. Em cidades de grande porte como Campina Grande, a pressão por editais mais inclusivos é constante por parte de movimentos sociais e órgãos de controle. Atualmente, o Brasil adota a Lei 12.990/2014 como referência federal, que destina 20% das vagas na administração pública direta e indireta para negros, servindo de base para as reivindicações em níveis locais.
O que esperar
O processo agora aguarda uma decisão liminar da Vara de Fazenda Pública. Se a decisão for favorável ao Ministério Público, a prefeitura será notificada para realizar as mudanças antes da homologação final das inscrições. O governo municipal ainda não se manifestou oficialmente sobre a estratégia jurídica que adotará, mas a expectativa é que o caso seja decidido com celeridade para evitar a suspensão total do concurso público.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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