Navio histórico segue atracado em Santos cinco meses após naufrágio
O navio Professor W. Besnard aguarda autorização da Marinha para ser rebocado após operação de reflutuação no Porto de Santos. Entenda o impasse documental.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 08 de agosto de 2026 às 09:273 min de leitura

Embarcação científica de grande relevância histórica permanece no cais do Valongo aguardando autorização final para manutenção em estaleiro.
O navio de pesquisa Professor W. Besnard, um dos mais importantes ícones da oceanografia brasileira, continua atracado no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, sem uma data definitiva para sua remoção. Após cinco meses do incidente que levou ao seu naufrágio parcial em março de 2024, a embarcação já passou pelo processo de reflutuação, mas segue dependendo de trâmites burocráticos e vistorias técnicas para ser deslocada com segurança.
O impasse na remoção
Apesar de ter sido trazido de volta à superfície em junho, o cronograma original previa que a embarcação estaria em um estaleiro para reparos estruturais ainda no mês de maio. A operação de resgate no cais do Valongo foi considerada complexa, exigindo equipes especializadas para garantir que o casco suportasse a pressão da água durante o içamento. Atualmente, o navio está estabilizado, mas a movimentação para uma área de manutenção exige garantias de flutuabilidade que ainda estão sob análise.
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De acordo com a Marinha do Brasil, a liberação para o reboque está condicionada à entrega de documentos técnicos obrigatórios que comprovem a segurança da navegação durante o trajeto. A autoridade marítima ressaltou que a prioridade é evitar novos incidentes no canal do porto, o que poderia prejudicar o fluxo comercial de Santos. Sem esses laudos, o Professor W. Besnard permanece ocupando um espaço nobre na área portuária, sob vigilância constante.
Condições estruturais e riscos
Fontes ligadas à administração portuária indicam que o longo período de submersão causou danos significativos ao mobiliário interno e aos sistemas elétricos da embarcação. O custo da recuperação total é estimado em milhões de reais, o que levanta debates sobre a viabilidade financeira da restauração completa. Especialistas apontam que a exposição prolongada à água salgada acelerou processos corrosivos em partes vitais do navio, tornando o transporte até o estaleiro uma missão delicada.
Equipes de engenharia naval monitoram diariamente as bombas de esgotamento para evitar que o navio volte a adernar. A expectativa dos responsáveis pela embarcação é que a documentação necessária seja protocolada junto à Capitania dos Portos nas próximas semanas. A demora gera preocupação entre entusiastas da preservação histórica, que temem que o agravamento do estado do casco torne o navio irrecuperável caso uma solução rápida não seja implementada.
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Contexto
O navio Professor W. Besnard foi construído na Noruega e serviu por décadas à Universidade de São Paulo (USP), sendo o responsável por diversas expedições pioneiras à Antártida. Ele simboliza o auge da pesquisa científica marítima nacional, tendo sido fundamental para o mapeamento da plataforma continental brasileira. Após anos de abandono e disputas sobre sua guarda, o navio acabou sofrendo o sinistro que o deixou parcialmente submerso por meses.
A situação no Porto de Santos reflete um problema maior de embarcações abandonadas que geram riscos ambientais e operacionais. O caso do Besnard é acompanhado de perto por órgãos ambientais, uma vez que o naufrágio inicial em março exigiu a colocação de barreiras de contenção para evitar o vazamento de resíduos oleosos nas águas do estuário santista.
Próximos passos
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A resolução do caso depende agora da agilidade na entrega dos planos de reboque e da aprovação final pela Capitania dos Portos. Assim que o sinal verde for dado, o navio será levado para um estaleiro onde passará por uma avaliação detalhada de viabilidade técnica. Caso a restauração seja considerada inviável, o destino da embarcação histórica poderá ser o desmonte ou a transformação em um monumento estático, preservando a memória da ciência nacional.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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