Ofensiva chinesa: 7 novas marcas de carros chegam ao Brasil até 2028

Mercado automotivo brasileiro terá invasão de fabricantes chinesas nos próximos anos. Grupo Chery lidera expansão com quatro novas marcas e metas ambiciosas.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 06 de agosto de 2026 às 17:003 min de leitura

Ofensiva chinesa: 7 novas marcas de carros chegam ao Brasil até 2028
Resumo em 10 segundos

Expansão asiática redefine o mercado nacional com promessa de 500 mil emplacamentos anuais e centenas de novas concessionárias.

O cenário automotivo no Brasil passará por uma transformação radical nos próximos quatro anos com a chegada confirmada de pelo menos sete novas marcas chinesas. Até 2028, gigantes do setor como o Grupo Chery, a Dongfeng e a IM Motors iniciarão operações oficiais no território brasileiro, trazendo um portfólio focado em eletrificação e tecnologia de ponta para competir diretamente com montadoras tradicionais já estabelecidas no país.

A estratégia do Grupo Chery

O maior movimento parte do Grupo Chery, que detalhou um cronograma agressivo de lançamentos para consolidar sua presença na América Latina. A primeira novidade a desembarcar é a iCAR, marca voltada exclusivamente para veículos elétricos urbanos. No entanto, o planejamento de longo prazo é ainda mais robusto: entre os anos de 2027 e 2028, a empresa prevê a introdução das marcas Lepas, Luxeed e a ressurreição da Freelander sob uma nova identidade visual e tecnológica.

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Para sustentar esse volume de novos emblemas nas ruas, a fabricante projeta uma estrutura de vendas sem precedentes. O objetivo é atingir a marca de 1.000 lojas abertas em todo o Brasil até o início da próxima década. Em termos de volume de mercado, a meta estabelecida pela diretoria da companhia é comercializar 500 mil veículos por ano até 2031, o que colocaria o grupo chinês entre os líderes absolutos do ranking nacional de emplacamentos.

Novos players no segmento premium

Além das marcas vinculadas à Chery, outras potências do oriente preparam sua entrada no mercado brasileiro. A Dongfeng, uma das maiores fabricantes da China, já organiza sua rede logística para atuar no país, enquanto a IM Motors (Intelligent Mobility) foca no segmento de luxo e alta performance. A chegada dessas empresas reforça a percepção de que o Brasil se tornou o principal campo de batalha para a expansão global dos veículos eletrificados chineses, impulsionada por incentivos à produção local e pela demanda crescente por modelos sustentáveis.

Especialistas do setor indicam que essa movimentação deve forçar uma readequação de preços e pacotes de equipamentos em toda a cadeia produtiva. Com a entrada da Luxeed — uma colaboração tecnológica de alto nível — e da Lepas, o consumidor brasileiro terá acesso a sistemas de condução autônoma e baterias de longa duração que antes eram restritos a modelos de altíssimo luxo europeus. A expectativa é que a concorrência acirrada beneficie o comprador final com mais opções de tecnologia embarcada.

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Contexto

Este movimento, apelidado por analistas como o "Efeito China", é uma resposta direta à saturação do mercado interno chinês e à busca por novos mercados emergentes. Nos últimos dois anos, o Brasil registrou um aumento exponencial na venda de carros eletrificados, superando as projeções iniciais da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). A infraestrutura de recarga em grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba tem acompanhado esse crescimento, embora ainda existam desafios para a interiorização da rede.

Historicamente, a primeira onda de marcas chinesas no Brasil, ocorrida por volta de 2010, focava em preços baixos e modelos básicos. A estratégia atual é diametralmente oposta: as novas marcas chegam com foco em valor agregado, design assinado por estúdios internacionais e garantia estendida, visando quebrar a resistência cultural e fidelizar o público de classe média e alta.

O que esperar

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Nos próximos meses, o cronograma de homologação de veículos junto aos órgãos reguladores brasileiros deve se intensificar. A expectativa é que as primeiras unidades da iCAR comecem a circular ainda em regime de teste, enquanto as obras das novas concessionárias devem gerar milhares de empregos diretos no setor de serviços. O sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade dessas marcas em estabelecer uma rede de pós-venda eficiente e manter a competitividade diante das possíveis variações tributárias sobre veículos importados.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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