Onça-parda Guaraná retorna à natureza após nove meses de reabilitação em MT
Após ganhar 15 kg e passar por cirurgia dentária, onça-parda resgatada em estado grave é solta em reserva ambiental de Mato Grosso com monitoramento por GPS.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 08 de agosto de 2026 às 04:003 min de leitura

Animal silvestre superou quadro severo de desnutrição e passou por complexa cirurgia dentária antes de ser devolvido ao habitat natural.
Uma onça-parda macho, apelidada carinhosamente de Guaraná, conquistou sua liberdade nesta semana após passar nove meses sob cuidados intensivos em Mato Grosso. O animal, que havia sido resgatado em condições críticas de saúde, foi solto em uma área de preservação estratégica após apresentar plena recuperação física e comportamental. O processo de soltura foi coordenado por equipes de biólogos e veterinários, que agora utilizam tecnologia de ponta para acompanhar a adaptação do felino no Cerrado mato-grossense.
O resgate e o quadro clínico
A trajetória de superação de Guaraná começou quando ele foi localizado em estado de choque, apresentando um quadro severo de desidratação e desnutrição. No momento do resgate, o felino pesava muito abaixo da média para sua idade e espécie, o que indicava que ele não conseguia caçar há semanas. Além da fraqueza extrema, os especialistas identificaram que a onça possuía diversos dentes quebrados, uma condição que inviabilizava sua sobrevivência na natureza, já que impedia o abate de presas e a alimentação adequada.
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O processo de reabilitação e cirurgia
Durante o período de internação, o animal foi submetido a uma dieta rigorosa e balanceada, resultando em um ganho de peso superior a 15 quilos. O ponto crucial da recuperação, no entanto, foi a intervenção odontológica. Uma equipe especializada realizou a restauração dos caninos e outros dentes essenciais, garantindo que o animal recuperasse sua capacidade de predação. Segundo os técnicos responsáveis pelo tratamento, a evolução clínica de Guaraná superou as expectativas, permitindo que ele retomasse seus instintos naturais em um ambiente controlado antes da soltura definitiva.
Monitoramento pós-soltura
Para garantir a segurança do felino e o sucesso do projeto de reintrodução, a onça-parda foi equipada com um colar de monitoramento via GPS. Este dispositivo envia coordenadas em tempo real para os pesquisadores, permitindo mapear a área de deslocamento e os hábitos do animal na reserva. Além do rastreamento por satélite, diversas armadilhas fotográficas foram instaladas em pontos estratégicos da unidade de conservação para captar imagens do comportamento de Guaraná e verificar se ele está conseguindo caçar e se manter saudável sem intervenção humana.
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Contexto
A onça-parda (Puma concolor), também conhecida como suçuarana, é o segundo maior felino das Américas e desempenha um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas. Em Mato Grosso, a espécie enfrenta desafios crescentes devido à fragmentação de seu habitat e ao avanço das áreas urbanas e agrícolas. Casos de animais encontrados debilitados têm se tornado mais frequentes, exigindo esforços conjuntos de órgãos ambientais e centros de triagem de animais silvestres para a preservação da biodiversidade regional.
O que esperar
Os dados coletados pelo colar de GPS nos próximos meses serão fundamentais para entender a dinâmica de dispersão de felinos reabilitados. A expectativa dos especialistas é que Guaraná consiga estabelecer um território próprio e, futuramente, contribuir para a variabilidade genética da população de onças na região. O sucesso deste caso serve como modelo para futuras ações de conservação da fauna silvestre no estado de Mato Grosso.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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