Operação contra golpe do seguro mira quadrilha em seis estados brasileiros
Polícia Civil cumpre 34 mandados contra grupo criminoso especializado em forjar roubos de veículos de luxo para fraudar seguradoras em todo o Brasil.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 20 de julho de 2026 às 18:003 min de leitura

Investigação revela esquema sofisticado que utilizava registros falsos de crimes em condomínios de alto padrão para obter indenizações indevidas.
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira, uma grande operação para desarticular uma organização criminosa suspeita de aplicar o chamado golpe do seguro. A ofensiva cumpre 34 mandados de busca e apreensão simultaneamente em São Paulo e outros cinco estados brasileiros. O grupo é acusado de forjar boletins de ocorrência de roubos que nunca aconteceram para receber valores vultosos de apólices de veículos importados e de alto valor de mercado.
O mecanismo da fraude
As investigações apontam que o esquema era operado com precisão técnica. Os criminosos utilizavam o endereço de um condomínio de luxo como cenário fictício para a maioria dos crimes reportados. Segundo os investigadores, a quadrilha registrava os delitos em delegacias eletrônicas ou presenciais, alegando que os veículos haviam sido subtraídos sob ameaça ou em invasões. Com o documento oficial em mãos, os suspeitos acionavam as companhias seguradoras para garantir o pagamento integral do prêmio, que muitas vezes ultrapassava a marca de R$ 300 mil por veículo.
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O alerta para as autoridades surgiu após um cruzamento de dados que identificou uma concentração atípica de sinistros em um curto intervalo de tempo envolvendo o mesmo perímetro residencial. A polícia notou que, apesar do alto número de ocorrências relatadas, não havia registros correspondentes em sistemas de monitoramento por câmeras ou chamados via 190. O trabalho de inteligência durou cerca de oito meses até a identificação dos principais operadores financeiros e dos laranjas utilizados para abrir as contas que recebiam os depósitos.
Alcance da operação policial
Além do estado de São Paulo, as equipes policiais estão em campo em diversas regiões do país para apreender documentos, dispositivos eletrônicos e veículos que possam estar ligados à lavagem de dinheiro do grupo. A estimativa preliminar das autoridades é que o prejuízo causado às empresas do setor de seguros supere os R$ 15 milhões nos últimos dois anos. Durante as buscas, foram apreendidos computadores e planilhas que detalham a divisão de lucros entre os membros da associação criminosa.
Os mandados foram expedidos pela Justiça Estadual após o Ministério Público validar as provas colhidas na fase inicial do inquérito. Os envolvidos podem responder por crimes de estelionato, falsidade ideológica e organização criminosa. A polícia também investiga a possível participação de corretores e funcionários de vistorias que poderiam facilitar a aprovação dos pagamentos fraudulentos sem a devida verificação de danos ou da existência real dos bens.
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Contexto
O crime de fraude contra seguros tem apresentado crescimento no Brasil, motivando a criação de delegacias especializadas em crimes patrimoniais e econômicos. Dados do setor indicam que as fraudes comprovadas ou suspeitas representam uma fatia significativa do custo das apólices para o consumidor final. Em 2023, o cerco contra esse tipo de prática foi intensificado com o uso de inteligência artificial pelas seguradoras, que agora compartilham bancos de dados para identificar padrões de comportamento suspeitos entre diferentes empresas.
Próximos passos
O material coletado nesta fase da operação será periciado pelo Instituto de Criminalística. O objetivo agora é identificar outros beneficiários do esquema e localizar os veículos que foram dados como roubados, mas que podem ter sido enviados para desmanches clandestinos ou exportados ilegalmente para países vizinhos. Novas prisões não estão descartadas conforme o avanço da análise dos dados bancários e das mensagens encontradas nos celulares apreendidos.
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