Ovos: custo de produção dispara e reduz rentabilidade de avicultores

Queda nos preços dos ovos aliada à alta do milho e soja faz poder de compra do produtor atingir o menor nível em seis meses, aponta levantamento técnico.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 09 de agosto de 2026 às 18:003 min de leitura

Ovos: custo de produção dispara e reduz rentabilidade de avicultores
Resumo em 10 segundos

Alta nos preços dos insumos e desvalorização do produto final pressionam margens de lucro no campo.

O setor de postura brasileiro enfrenta um cenário de forte pressão econômica neste fechamento de ciclo. De acordo com dados do Cepea/Esalq-USP, o poder de compra do avicultor brasileiro atingiu, em junho, o patamar mais baixo de todo o primeiro semestre de 2024. O desequilíbrio é provocado pela combinação direta entre a queda no preço de venda da caixa de ovos e a valorização expressiva das principais matérias-primas da ração animal, como o milho e o farelo de soja.

A pressão dos custos de produção

A nutrição das aves representa cerca de 70% a 80% do custo total da atividade. Nas últimas semanas, o mercado observou uma escalada nas cotações dos grãos, impulsionada por incertezas climáticas e oscilações no mercado internacional. Enquanto o milho registrou altas consecutivas nas principais praças de comercialização, o preço do ovo sofreu uma correção negativa devido ao aumento da oferta interna e a uma retração sazonal no consumo das famílias brasileiras.

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Segundo pesquisadores da Esalq-USP, sediada em Piracicaba (SP), essa tesoura econômica — onde o custo sobe e o preço de venda desce — obriga o produtor a entregar uma quantidade muito maior de mercadoria para adquirir a mesma tonelada de insumo. Em algumas regiões, a relação de troca piorou mais de 10% em comparação ao início do segundo trimestre, colocando em risco a saúde financeira de pequenos e médios granjeiros que operam com margens estreitas.

Impacto no mercado consumidor

Embora a queda no preço na granja possa sugerir um alívio imediato para o consumidor final nos supermercados, a sustentabilidade dessa baixa é incerta. Com a rentabilidade em níveis críticos, muitos avicultores podem optar pelo descarte precoce de lotes de galinhas poedeiras para reduzir custos com alimentação. Essa redução no plantel tende a gerar, em médio prazo, uma menor oferta de ovos no mercado, o que historicamente provoca um novo ciclo de altas de preços nas gôndolas.

Contexto

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O setor de proteína animal vem sofrendo com a volatilidade das commodities desde o início do ano. O milho, componente vital da dieta das aves, sofre influência direta da cotação do dólar e das projeções da safra brasileira. No ano passado, o setor viveu um período de recuperação, mas o cenário atual de 2024 acende um alerta para a necessidade de gestão eficiente de estoques e contratos futuros para proteger o fluxo de caixa das propriedades rurais.

O que esperar

Analistas do mercado agropecuário preveem que a situação só deve apresentar sinais de melhora com a estabilização das colheitas de grãos e um possível reaquecimento da demanda interna no segundo semestre. Até lá, o setor deve manter uma postura cautelosa, evitando novos investimentos em expansão. A expectativa é que o Poder Público monitore os custos de produção para evitar desabastecimento ou oscilações bruscas que afetem a segurança alimentar da população.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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