Pacientes de José de Freitas denunciam precariedade no transporte de hemodiálise
Moradores que dependem de tratamento renal em Teresina relatam veículos superlotados e falta de segurança no trajeto feito três vezes por semana.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 10 de agosto de 2026 às 08:503 min de leitura

Moradores que sofrem de insuficiência renal crônica enfrentam rotina de exaustão e insegurança no deslocamento para a capital piauiense.
Um grupo de pacientes residentes no município de José de Freitas, no interior do Piauí, denunciou nesta quinta-feira (6) as condições degradantes do transporte oferecido para o tratamento de hemodiálise. A viagem, que ocorre obrigatoriamente três vezes por semana, tem como destino uma clínica especializada localizada na Zona Sul de Teresina. Segundo os relatos, a falta de manutenção dos veículos e a superlotação transformam a busca pela sobrevivência em uma jornada de riscos constantes nas rodovias estaduais.
Riscos no trajeto e superlotação
De acordo com os usuários do serviço, o veículo disponibilizado pela gestão municipal frequentemente apresenta falhas mecânicas e não comporta o número de pessoas que necessitam do atendimento. Imagens registradas pelos próprios pacientes mostram o interior do transporte com poltronas danificadas e um espaço físico insuficiente para quem acaba de passar por um procedimento invasivo e desgastante. Muitos relatam que, após as quatro horas de sessão de filtragem do sangue, o retorno para casa em um carro desconfortável agrava o mal-estar físico e a debilidade característica do pós-tratamento.
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Impacto na saúde dos pacientes
A rotina de quem depende da hemodiálise é rigorosa e não permite faltas, sob risco de morte. Para os pacientes de José de Freitas, a jornada começa ainda na madrugada, enfrentando a PI-113, estrada que liga a cidade à capital. A denúncia aponta que a prefeitura não tem cumprido protocolos básicos de assistência, como a oferta de veículos climatizados e com suspensão adequada, itens considerados essenciais para pacientes que sofrem com dores crônicas e fragilidade vascular. O descaso, segundo os denunciantes, é uma violação direta ao direito constitucional de acesso à saúde.
Silêncio das autoridades locais
Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde de José de Freitas não havia emitido um comunicado oficial detalhando o cronograma de manutenção da frota ou a aquisição de novos veículos para o Tratamento Fora de Domicílio (TFD). A Câmara de Vereadores do município também tem sido acionada por familiares dos enfermos para que fiscalize a aplicação dos recursos destinados ao transporte sanitário. A cobrança é por uma solução imediata, visto que o serviço é contínuo e a interrupção da logística pode levar a óbitos na região.
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Contexto
O transporte de pacientes para tratamentos de alta complexidade é uma responsabilidade compartilhada, mas a execução direta do deslocamento cabe às prefeituras municipais. No Piauí, a centralização de serviços especializados em Teresina obriga milhares de pessoas a percorrerem centenas de quilômetros semanalmente. Casos de precariedade no TFD têm sido alvo recorrente de fiscalizações do Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI), que busca garantir a dignidade humana no trajeto entre as residências e os centros médicos.
O que esperar
Os pacientes e seus familiares planejam formalizar uma representação junto à Promotoria de Justiça da comarca local para exigir a substituição do veículo atual por um micro-ônibus ou van que atenda aos requisitos de segurança viária e conforto térmico. A expectativa é que, com a pressão popular e a divulgação das imagens da última quinta-feira, a administração pública acelere a licitação para renovação da frota destinada à saúde.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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