PANCs em Rondônia: Conheça as plantas nutritivas que ganham espaço na mesa

Descobertas em Rondônia, as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) oferecem mais nutrientes e vitaminas que as hortaliças comuns. Saiba como consumir.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 09 de agosto de 2026 às 10:063 min de leitura

PANCs em Rondônia: Conheça as plantas nutritivas que ganham espaço na mesa
Resumo em 10 segundos

Estudo revela o potencial gastronômico e nutricional de espécies vegetais abundantes na região amazônica que superam hortaliças comuns em vitaminas.

Uma movimentação silenciosa nos quintais e áreas rurais de Rondônia está transformando a percepção sobre o que é considerado alimento. As Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), frequentemente confundidas com mato ou vegetação espontânea, estão ganhando destaque em pesquisas e na culinária local. Especialistas apontam que essas espécies, adaptadas ao solo e clima do Norte do Brasil, possuem densidade nutricional superior a itens tradicionais como alface e couve, oferecendo uma alternativa sustentável para a segurança alimentar na Amazônia.

Riqueza nutricional e biodiversidade

O grande diferencial das PANCs reside na sua composição química natural. De acordo com pesquisadores da área de botânica e nutrição, essas plantas apresentam teores elevadíssimos de proteínas, fibras e minerais, como ferro e zinco, essenciais para o combate à anemia e outras carências nutricionais. Em Porto Velho e cidades do interior, espécies como a ora-pro-nóbis, o peixinho-da-horta e a taioba deixaram de ser ignoradas para se tornarem protagonistas em pratos que buscam aliar saúde e regionalismo.

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Além das folhas, as flores comestíveis também integram este grupo, trazendo não apenas estética, mas compostos antioxidantes que auxiliam na prevenção de doenças degenerativas. A facilidade de cultivo é outro ponto de destaque, já que muitas dessas espécies são resistentes a pragas e não demandam o uso intensivo de defensivos agrícolas, tornando-as ideais para a agricultura familiar e hortas urbanas que buscam um manejo mais orgânico e menos custoso.

Identificação e segurança no consumo

Apesar dos benefícios, as autoridades de saúde e agrônomos alertam para a importância da identificação correta antes do consumo. Nem toda planta que nasce espontaneamente é comestível, e algumas podem apresentar toxicidade se preparadas de forma inadequada. O processo de introdução das PANCs na dieta deve ser acompanhado por conhecimento técnico, garantindo que a planta colhida em Rondônia seja de fato a espécie pretendida. O preparo também varia: enquanto algumas podem ser consumidas cruas em saladas, outras exigem o processo de branqueamento para eliminar substâncias antinutricionais.

O incentivo ao consumo dessas plantas também dialoga com a preservação da biodiversidade amazônica. Ao valorizar espécies nativas ou adaptadas, reduz-se a dependência de sementes importadas de outras regiões do Brasil ou do exterior. Isso fortalece a economia local e garante que a população tenha acesso a alimentos frescos e de baixo custo, mesmo em períodos de entressafra de hortaliças convencionais, que sofrem mais com as oscilações de temperatura e umidade da região.

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Contexto

O termo PANC foi cunhado pelo biólogo Valdely Kinupp e, desde então, tem servido como base para políticas de soberania alimentar em diversos estados brasileiros. Em Rondônia, o aproveitamento dessas espécies remonta ao conhecimento tradicional de comunidades ribeirinhas e indígenas, que já utilizavam flores e raízes como base de sustento muito antes da popularização dos supermercados. Dados recentes indicam que o Brasil possui mais de 10 mil espécies com potencial alimentício, mas a dieta básica da população resume-se a menos de 20 tipos de vegetais.

Projetos de extensão em universidades rondonienses buscam catalogar essas espécies para criar um guia prático para o produtor rural. O objetivo é que, até o final de 2025, o volume de PANCs comercializadas em feiras livres do estado apresente um crescimento significativo, diversificando o prato do consumidor e gerando renda para pequenas propriedades que apostam na agroecologia.

O que esperar

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A tendência é que as PANCs deixem de ser um nicho de mercado para se tornarem itens comuns nas gôndolas e cardápios de restaurantes de Rondônia. Com o avanço das pesquisas científicas comprovando a eficácia nutricional e a viabilidade econômica, espera-se que programas governamentais de merenda escolar passem a incluir essas plantas, garantindo uma alimentação mais robusta para crianças e jovens da rede pública de ensino, ao mesmo tempo em que valorizam a flora regional.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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