Paraíba registra segunda menor presença feminina na Polícia Militar do Brasil
Com apenas 7,9% de mulheres no efetivo, Paraíba supera apenas o Ceará em representatividade feminina na PM, revela estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 08 de agosto de 2026 às 15:023 min de leitura

Levantamento nacional aponta que apenas 811 mulheres compõem o quadro da corporação paraibana, evidenciando desigualdade de gênero na segurança pública.
A Paraíba ocupa atualmente a penúltima posição no ranking nacional de representatividade feminina em suas forças de segurança estaduais. De acordo com dados consolidados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado possui um contingente total de 10.309 policiais militares, dos quais apenas 811 são mulheres. O índice de 7,9% de participação feminina coloca a unidade federativa em uma situação crítica, ficando à frente apenas do Ceará em todo o território brasileiro.
O cenário da desigualdade no efetivo
A disparidade numérica entre homens e mulheres na Polícia Militar da Paraíba reflete um gargalo histórico no acesso e na manutenção de carreiras femininas na área de segurança. Com um efetivo predominantemente masculino, a corporação enfrenta o desafio de integrar mais profissionais do sexo feminino em um universo de mais de 10 mil agentes. Especialistas em segurança pública destacam que a baixa porcentagem, inferior a 8%, compromete a diversidade institucional e o atendimento especializado em ocorrências sensíveis.
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Enquanto outros estados brasileiros buscam políticas de ampliação de cotas e incentivo ao ingresso de mulheres, a Paraíba ainda apresenta números que destoam da média nacional. O montante de 811 policiais mulheres é considerado insuficiente para a demanda de um estado que busca modernizar suas estratégias de policiamento comunitário e ostensivo. A concentração de poder e de postos de trabalho nas mãos de homens ainda é a regra vigente na segurança paraibana.
Comparativo regional e nacional
Ao analisar o panorama do Nordeste, a situação paraibana ganha contornos mais severos. O estado vizinho, Ceará, é o único que apresenta um desempenho inferior, o que coloca a região em um patamar de alerta quanto às políticas de inclusão de gênero. Segundo o Ministério da Justiça, a diversificação das tropas é um fator fundamental para a eficiência das operações, especialmente no combate à violência doméstica e em abordagens que exigem protocolos específicos.
O levantamento detalha que, apesar dos concursos públicos realizados nos últimos anos, o fluxo de entrada de novas policiais não foi capaz de alterar significativamente o percentual de 7,9%. O fenômeno é visto como uma barreira estrutural que limita a ascensão de mulheres a cargos de comando dentro da Polícia Militar, perpetuando uma hierarquia com baixa rotatividade de gênero nas esferas de decisão estratégica.
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Contexto
A discussão sobre a presença feminina nas forças armadas e policiais ganhou força na última década, impulsionada por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que questionam a limitação de vagas para mulheres em editais de concursos. Historicamente, muitas corporações impunham tetos rígidos, geralmente fixados em 10%, o que impedia que candidatas com notas superiores às de homens ocupassem as vagas disponíveis.
Na Paraíba, a infraestrutura das unidades policiais e a cultura organizacional também são apontadas como fatores que influenciam a permanência dessas profissionais. A falta de alojamentos adequados e de políticas de apoio à maternidade para as 811 militares são temas recorrentes em debates sobre a reforma do estatuto da corporação e a melhoria das condições de trabalho no setor público.
O que esperar
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Diante dos dados alarmantes, a expectativa é que o Governo da Paraíba e o comando da Polícia Militar revisem as diretrizes para os próximos certames. A pressão de órgãos de controle e de movimentos sociais visa a eliminação de restrições de gênero, permitindo que a competência técnica seja o único critério de seleção. A meta a médio prazo é que o estado consiga romper a barreira dos dois dígitos e se alinhar às melhores práticas de segurança do Brasil.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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