Paraty: PM desarticula rede clandestina de monitoramento por câmeras
Polícia Militar remove equipamentos instalados ilegalmente em postes públicos de Paraty. Ação visa combater o controle territorial de grupos criminosos.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 17:203 min de leitura

Operação policial retira dispositivos de vigilância não autorizados que monitoravam a circulação de moradores e viaturas em áreas residenciais.
Nesta semana, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro deflagrou uma ação estratégica no município de Paraty, na Costa Verde, para desarticular um sistema de monitoramento clandestino. Os agentes localizaram e removeram diversas câmeras instaladas irregularmente em postes de iluminação pública, um recurso frequentemente utilizado por organizações criminosas para antecipar a chegada de forças de segurança e controlar a rotina da população local.
Ação de desmonte e apreensão
A intervenção ocorreu após o setor de inteligência identificar que os equipamentos não possuíam registro oficial ou autorização da Prefeitura de Paraty ou das concessionárias de energia. Durante o patrulhamento, as equipes do 33º Batalhão de Polícia Militar percorreram pontos estratégicos onde a presença desses dispositivos era mais densa. Segundo o comando da operação, a retirada dos aparelhos é fundamental para restabelecer a liberdade de ir e vir dos cidadãos, que se sentiam intimidados pela vigilância constante de grupos paralelos.
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Os equipamentos apreendidos foram encaminhados para a 167ª Delegacia de Polícia, onde passarão por perícia técnica. O objetivo dos investigadores agora é rastrear a origem do sinal e identificar as centrais de monitoramento para as quais as imagens eram transmitidas. A polícia acredita que a rede operava em tempo real, permitindo que criminosos monitorassem a movimentação de viaturas e agentes infiltrados nas comunidades, dificultando prisões e flagrantes de tráfico de entorpecentes.
Impacto na segurança pública
Autoridades locais reforçam que a instalação de qualquer dispositivo em postes de uso público sem o devido processo administrativo constitui crime e irregularidade administrativa grave. A utilização desses recursos tecnológicos por civis para fins de vigilância ostensiva é um fenômeno que tem crescido em cidades da Costa Verde, gerando um desafio extra para a Segurança Pública. O uso de tecnologia de baixo custo e fácil conexão via Wi-Fi facilita a rápida reposição desses sistemas pelas facções, exigindo fiscalização contínua.
Além das câmeras, os policiais também verificaram a fiação e possíveis ligações clandestinas de energia, os populares gatos, que alimentavam os aparelhos. A operação não resultou em prisões imediatas no local das remoções, mas gerou um banco de dados importante para futuras incursões e mandados de busca e apreensão. A Polícia Militar garantiu que novas varreduras serão realizadas em outros bairros de Paraty nos próximos dias para garantir a neutralização completa dessa rede de inteligência do crime.
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Contexto
O município de Paraty, embora conhecido internacionalmente pelo seu patrimônio histórico e turismo, tem enfrentado episódios de disputa territorial entre diferentes grupos armados nos últimos anos. O uso de câmeras de segurança em postes públicos tornou-se uma ferramenta de guerra urbana, funcionando como um "olho digital" que substitui ou complementa os tradicionais olheiros posicionados em esquinas.
Dados da Secretaria de Estado de Polícia Civil indicam que a sofisticação desses sistemas tem aumentado, com a adoção de lentes de alta resolução e visão noturna. O combate a essa infraestrutura é parte de um plano maior de ocupação de áreas críticas e asfixia logística do crime organizado na região sul fluminense, que busca proteger a atividade turística e a integridade dos moradores.
O que esperar
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A expectativa das autoridades é que a remoção desses equipamentos resulte em uma queda nas fugas durante operações policiais e aumente a eficácia das patrulhas de rotina. A Polícia Civil continuará o trabalho investigativo para identificar os responsáveis pelas instalações, enquanto a prefeitura deve intensificar a fiscalização sobre o uso do mobiliário urbano. Moradores são incentivados a realizar denúncias anônimas através do Disque Denúncia para apontar novos pontos de vigilância ilegal.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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