PF desarticula central de tráfico internacional em Copacabana
Operação da Polícia Federal revela bunker no Rio de Janeiro usado para preparar 'mulas' que transportavam drogas para o exterior via Aeroporto do Galeão.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 01 de novembro de 2026 às 13:463 min de leitura

Investigação revela que apartamento de luxo servia como base logística para o envio de entorpecentes ao mercado internacional.
A Polícia Federal deflagrou uma operação estratégica nesta semana para desmantelar uma organização criminosa que utilizava o bairro de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, como centro de operações para o tráfico transnacional. O grupo recrutava e preparava os chamados transportadores de drogas, conhecidos como mulas, que partiam do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) com destino a diversos países, carregando substâncias ilícitas escondidas em bagagens ou no próprio corpo.
A logística do crime no coração da Zona Sul
As investigações apontam que o esquema era altamente organizado, utilizando um apartamento residencial como fachada para as atividades ilícitas. O imóvel funcionava como uma espécie de centro de treinamento e preparação final, onde os recrutados recebiam as instruções e a droga era acondicionada de forma a tentar burlar a fiscalização alfandegária. A Polícia Federal identificou que o fluxo de pessoas no local era intenso, sempre coincidindo com horários de voos internacionais de alta demanda.
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Durante a incursão dos agentes federais, foram apreendidos materiais que comprovam a manipulação de entorpecentes e a logística de transporte. O uso de Copacabana como base estratégica visava, segundo as autoridades, passar despercebido em meio ao grande fluxo de turistas e moradores da região. Os criminosos acreditavam que a movimentação constante no bairro facilitaria o transporte das mulas até o Galeão sem levantar suspeitas das patrulhas rotineiras.
O perfil dos recrutados e o destino das drogas
O monitoramento realizado pela inteligência policial revelou que a quadrilha buscava pessoas em situação de vulnerabilidade ou jovens atraídos por promessas de dinheiro fácil. Após o recrutamento, essas pessoas eram levadas ao bunker em Copacabana, onde permaneciam sob vigilância até o momento do embarque. O destino principal das remessas era o continente europeu, onde o valor de revenda da cocaína, por exemplo, pode atingir cifras astronômicas em comparação ao mercado brasileiro.
A Delegacia de Repressão a Drogas destacou que a desarticulação desta central é um golpe significativo nas finanças da organização. Além das prisões efetuadas, a operação resultou na coleta de dispositivos eletrônicos e documentos que podem levar à identificação dos chefes do esquema, que raramente aparecem na linha de frente do transporte. A estimativa é que o grupo tenha movimentado milhões de reais nos últimos meses através deste corredor logístico no Rio de Janeiro.
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Contexto
O uso de aeroportos internacionais brasileiros como pontos de saída para o tráfico global tem sido alvo de operações recorrentes. O Aeroporto do Galeão é monitorado por sistemas de alta tecnologia, incluindo scanners corporais e inteligência artificial, o que tem forçado as quadrilhas a refinarem seus métodos de ocultação. Em 2023, o volume de apreensões de drogas em terminais aéreos no Brasil apresentou um crescimento notável, refletindo o aumento da pressão policial sobre as rotas de exportação.
A estratégia de utilizar imóveis em bairros nobres para a preparação de crimes não é inédita no Rio de Janeiro. A escolha de Copacabana reflete uma tentativa de camuflagem urbana, onde a densidade populacional e o tráfego intenso servem como escudo para atividades de organizações criminosas que buscam se distanciar das áreas periféricas, tradicionalmente mais visadas por operações ostensivas.
Próximos passos
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Agora, a Polícia Federal trabalha no cruzamento de dados bancários e telemáticos para rastrear a lavagem de dinheiro proveniente do esquema. Os suspeitos detidos responderão pelos crimes de tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico, cujas penas somadas podem ultrapassar 20 anos de reclusão. A vigilância no Aeroporto Tom Jobim será reforçada por tempo indeterminado para identificar possíveis células remanescentes que operam sob o mesmo sistema de logística.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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