Piauí registra 12 milhões de hectares queimados em quatro décadas
Levantamento do MapBiomas aponta que o Piauí ocupa a sexta posição nacional em área atingida pelo fogo, com 12 milhões de hectares consumidos desde 1985.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 11:163 min de leitura

Estado piauiense figura entre as regiões mais impactadas por incêndios florestais no Brasil, acumulando perdas históricas de vegetação.
Um levantamento detalhado revelou que o Piauí teve mais de 12 milhões de hectares consumidos pelo fogo nos últimos 41 anos. O estado ocupa agora a sexta posição no ranking nacional de áreas queimadas, refletindo a vulnerabilidade do território diante de regimes climáticos severos. Os dados, que compreendem o intervalo entre 1985 e 2024, mostram que a incidência de chamas no estado acompanha uma tendência crítica observada em todo o território brasileiro.
Radiografia do fogo no território piauiense
A análise técnica indica que a recorrência de queimadas no Piauí está diretamente ligada à combinação de atividades humanas e fatores climáticos. Com uma extensão territorial vasta, o estado viu cerca de 48% de sua área total ser atingida por focos de incêndio em algum momento das últimas quatro décadas. De acordo com o MapBiomas, o avanço das chamas não se restringe apenas a áreas de pastagens, mas atinge severamente biomas nativos como o Cerrado e a Caatinga, que perdem biodiversidade a cada ciclo de seca.
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O impacto ambiental é agravado pela frequência dos eventos. Em muitas regiões piauienses, o solo é submetido ao fogo repetidamente, o que impede a regeneração natural da flora. Especialistas apontam que o Sul do Piauí, região de forte expansão agrícola, concentra grande parte dos registros, especialmente nos meses de agosto, setembro e outubro, quando a umidade relativa do ar atinge níveis críticos e as temperaturas ultrapassam frequentemente os 40 graus Celsius.
O cenário crítico no Brasil
Os números locais fazem parte de uma estatística nacional alarmante. Em todo o Brasil, aproximadamente 208,4 milhões de hectares foram queimados no mesmo período de 41 anos. Isso significa que uma área equivalente a quase um quarto do país já passou pelo fogo. O estudo destaca que o regime de queima no país está mudando, tornando-se mais intenso devido às mudanças climáticas, que prolongam os períodos de estiagem e reduzem a resiliência das florestas e savanas.
As condições mais quentes e secas registradas na última década aceleraram a propagação das chamas, dificultando o trabalho de brigadistas e do Corpo de Bombeiros. No ranking de estados mais afetados, o Piauí aparece atrás apenas de estados da região amazônica e do Mato Grosso, consolidando-se como um dos pontos focais para políticas públicas de prevenção e manejo do fogo no Nordeste.
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Contexto
Historicamente, o uso do fogo é uma prática comum para a limpeza de terrenos no Brasil, mas a falta de controle e as condições climáticas adversas transformam essas ações em grandes desastres ambientais. O monitoramento por satélite tornou-se a principal ferramenta para entender a dinâmica dessas queimadas, permitindo identificar que o Cerrado é o bioma que mais queima no país em termos de área proporcional.
No Piauí, a transição entre biomas cria um corredor de vegetação seca que facilita a dispersão das fagulhas. Entre os anos de 2010 e 2020, o estado registrou alguns de seus piores índices, coincidindo com fenômenos climáticos como o El Niño, que reduz drasticamente a pluviosidade na região do Semiárido.
O que esperar
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Para os próximos anos, a tendência é de endurecimento na fiscalização e na implementação de planos de manejo integrado. Autoridades ambientais e órgãos como o Ibama reforçam a necessidade de estratégias que envolvam as comunidades locais no combate ao uso indiscriminado do fogo. Sem uma redução drástica nas emissões de gases e no desmatamento, o Piauí continuará figurando no topo da lista de estados vulneráveis a incêndios de grandes proporções.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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