Pinheiral sedia 5º Encontro de Jongos do Vale do Café em julho

Evento em Pinheiral reunirá 450 jongueiros do Rio de Janeiro e São Paulo para celebrar a cultura afro-brasileira e homenagear os 70 anos da Mestra Fatinha.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 17:443 min de leitura

Pinheiral sedia 5º Encontro de Jongos do Vale do Café em julho
Resumo em 10 segundos

Cidade fluminense se transforma no epicentro da cultura ancestral com a participação de comunidades tradicionais de dois estados.

No próximo dia 25 de julho, o município de Pinheiral, localizado no interior do Rio de Janeiro, será o palco do 5º Encontro de Jongos do Vale do Café. O evento de grande relevância cultural deve reunir aproximadamente 450 representantes de comunidades quilombolas e grupos tradicionais vindos de diversas regiões fluminenses e também do estado de São Paulo, consolidando a região como um polo de preservação da memória afro-brasileira.

Celebração e resistência cultural

A programação deste ano carrega um simbolismo especial ao celebrar as sete décadas de vida de uma das maiores referências do setor. O encontro prestará uma homenagem oficial à Mestra Fatinha, que completa 70 anos de dedicação ininterrupta à manutenção do jongo. A veterana é reconhecida por liderar o Jongo de Pinheiral e por seu papel fundamental na transmissão de saberes para as novas gerações, garantindo que os tambores e as danças circulares não silenciassem diante da modernidade.

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Os grupos participantes trarão para as ruas de Pinheiral a força dos pontos cantados e o ritmo dos tambores, elementos que compõem o Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. De acordo com a organização, a estrutura do evento foi planejada para integrar mestres e aprendizes em um ambiente de troca de experiências, onde a oralidade é a principal ferramenta de ensino. A expectativa é que o fluxo de turistas e pesquisadores movimente a economia local durante todo o período das festividades.

Intercâmbio entre Rio e São Paulo

A presença de delegações de São Paulo reforça o caráter interestadual da iniciativa. O intercâmbio permite que diferentes sotaques do jongo se encontrem, revelando as nuances rítmicas de cada localidade. Entre os confirmados, estão grupos que mantêm a tradição em áreas rurais e urbanas, demonstrando a resiliência desta expressão artística que sobreviveu ao período da escravidão e se ressignificou como um símbolo de liberdade e identidade negra.

Além das rodas de jongo, o encontro prevê momentos de reflexão sobre políticas públicas voltadas para as populações tradicionais. Líderes comunitários pretendem utilizar o espaço para debater a importância do reconhecimento territorial e do apoio institucional para a manutenção das sedes dos grupos. Para os organizadores, o evento em Pinheiral não é apenas uma festa, mas um ato de afirmação política e social das comunidades do Vale do Paraíba.

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Contexto

O Vale do Café foi historicamente o maior produtor mundial de café no século XIX, sustentado pela mão de obra de pessoas escravizadas. O jongo, muitas vezes chamado de "pai do samba", nasceu nessas fazendas como uma forma de comunicação cifrada e lazer entre os trabalhadores. Em 2005, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) registrou o Jongo do Sudeste como patrimônio nacional, elevando o status da manifestação e garantindo diretrizes para sua salvaguarda.

Atualmente, o Jongo de Pinheiral é um dos grupos mais ativos da região, mantendo atividades regulares de educação patrimonial. A realização da quinta edição do encontro regional reafirma o compromisso das lideranças locais em manter viva a chama da ancestralidade, mesmo diante dos desafios impostos pela falta de patrocínios constantes e pela necessidade de renovação dos quadros de integrantes nas comunidades.

Próximos passos

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Após a realização do evento no dia 25 de julho, os grupos participantes planejam elaborar um documento conjunto com reivindicações para a preservação cultural, a ser entregue às secretarias estaduais de cultura. A meta é que o Encontro de Jongos do Vale do Café entre definitivamente para o calendário oficial de eventos do estado do Rio de Janeiro, garantindo verbas anuais para sua execução e expansão para outras cidades da região nos próximos anos.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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